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Um bicho geográfico

Coitadinha da Anita, não para de coçar os pés. Nossas férias em Floripa foram ótimas, mas trouxemos de lá um souvenir nada agradável, um bicho geográfico. Pra quem não conhece, são pequenas larvas (Larva Migrans) que se enfiltram pela nossa pele e vão fazendo um caminho de dor e ardência.

A cura não é das mais complicadas, basta passar uma pomada chamada Thiabena e manter o local infectado sob rigorosa refrigeração. As minhocas odeiam frio. Faz uns três dias que estamos nessa função. No começo ela chorava de coceira e eu achava que era frescura. Depois vi que o negócio era sério, consultei uns médicos e tratei com Fernergan, Allegra e Berlison porque o caminho ainda não estava evidente, então parecia ser apenas uma alergia de picada de mosquito.

Eu já tive alguns bichos geográficos na época que vivia na Ilha do Mel. Não adianta, praia com cachorro é encrenca brava. Tenho certeza que a Anita pegou essas perebas num belíssimo dia de sol que passamos no Pântano do Sul. E pensar que ela até se enterrou na areia, meodeus!

O mais difícil é convencer uma criança a não coçar as feridas. Mas, estamos indo bem_ com os gritos de ESTÁ COÇANDOOOOOOOOOO mais espaçados a cada dia.

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Notinhas florianopolitanas

Estou em Floripa, de férias, e o slogan da estação, do verão 2011, é ‘o que você faz em Floripa, fica aqui’ . Isso traduz um pouco da mentalidade e das atitudes das pessoas na Ilha. Cada vez que venho pra cá, me irrito um pouco com esse lifestyle.

Não que a maternidade justifique, mas o fato é que eu estou ficando muito caretona. Muito, num grau máximo. Pra mim, droga é uma coisa datada a ser experimentada ou usada com fins recreativos na adolescência. Adulto que fuma maconha é como criança de sete anos com chupeta ou vovô que quer ser garotão.

Aqui pode tudo. Em contrapartida, encontro também um alento. Minhas amigas são muito certinhas, verdadeiras, com valores sólidos e admiráveis. Os errados que me perdoem, mas conviver com pessoas assim, puras na alma e nos gestos, é um presente.

Existe entre os manezinhos uma noção tão bonita de respeito ao próximo, de amizade, de coletividade que – às vezes – passa pela minha cabeça voltar pra cá.

Para além do Jurerê, dos espumantes com fogos, das Ferraris e da babaquice generalizada que impera em terras florianopolitanas, ainda existe a Lagoa, onde as pessoas se conhecem há anos e andam de chinelos e sem bolsa. Como nem tudo é perfeito, existe uma trapizombagem forte, típica de pontos turísticos onde os saltos não são bem-vindos e a natureza e a beleza ainda encantam mais os olhos que a suposta conta bancária de quem está de férias, desfilando.

No prédio da minha sogra, em Coqueiros, tem uma turma que é um barato, muito mais empolgada que a minha adorável gang de Porto Alegre. Eles passam os dias na piscina, que apelidaram de V12, em alusão ao tal day club P12. Promovem diversos eventos paralelos aos que agitam a cidade. Quando o Cacau Menezes faz a sua Feijoada, ou hordas de pessoas deslocam-se para a Peixada do Gui, acontece – aqui no prédio – um evento semelhante e, sem dúvida nenhuma, muito mais divertido.

Via de regra há pastéis de berbigão, bruschettas e drinks dos mais variados nas mesas. Enquanto os adultos se divertem, as crianças treinam saltos sincronizados na piscina, nas modalidades bomba, parafuso, palito e ponta.

Dos papos com minhas amigas e de minhas andanças por aí, extraí as seguintes novidades: tem muita mulher tomando bomba pra ficar sarada (o que não era comum antes), a Lagoa tá cheia de albergues, os assaltos viraram rotina e o trânsito é o que parece ser, uma naba mesmo, o ano todo. Cabe até a piadinha do meu marido sobre cidades pequenas. Ele adora dizer que tal lugar é uma cidade de primeira, porque quando se engata a segunda, a cidade já ficou pra trás. Floripa é uma cidade de segunda, porque é impossível engatar a terceira. A velocidade média no trânsito é 15 km/h, haja saco.

Gastronomicamente, o prato da vez é a lula recheada. Comi uma de lamber os beiços na praia do Pântano do Sul, no restaurante Pedacinho do Céu, com minha amiga Maria Carmencita. Mas, outra amiga, a Vicky, disse que a lula mais cobiçada do momento é feita num barzinho da Lagoa, ao qual se tem acesso apenas pela servidão que ela morava, no Morro da Mole. Deve ser incrível. Jantamos num australiano (ou ostraliano, como dizem os manés bem manés) novo da Beiramar bem qualquer coisa. Por falar em ostra, minha preferida do verão é a natural do Porto do Contrato, bem geladinha.

Estou até enjoada de tanta ostra. E, pra quem veio só pra ver a Amy, já fiquei tempo demais aqui. Hoje à noite volto para Forno Alegre e pretendo atualizar mais este blog.

O Rio de janeiro continua lindo – parte 2

Ana Emília Cardoso

Sem palavras, hoje baixei as fotos e vou deixar elas falarem por si.

Mirante do Leblon

Mirante do Leblon

Steak au poivre no Bar Devassa.

Steak au poivre no Bar Devassa.

Pôr-do-sol no Pão de Açúcar

Pôr-do-sol no Pão de Açúcar

Lagoa Rodrigo de Freitas e Ipanema/Leblon, vistos do Cristo

Lagoa Rodrigo de Freitas e Ipanema/Leblon, vistos do Cristo

Descanso num deck da Lagoa, mesmo de bike, dar uma volta na Lagoa cansa.

Descanso num deck da Lagoa, mesmo de bike, dar uma volta na Lagoa cansa.

Búzios! Praia da Ferradura. A paisagem é linda, mas a água é gelada de trincar.

Búzios! Praia da Ferradura. A paisagem é linda, mas a água é gelada de trincar.

Orla Bardot - rua das pedras

Orla Bardot - rua das pedras

As vitrines são algo!

As vitrines são algo!

Au revoir, crème de la crème!

Au revoir, crème de la crème!

O dever me chama, fui!

Sí, yo soy una argentina

Ana Emília Cardoso

Búzios, pronuncia-se bú-ci-os
, é uma belíssima península no litoral carioca, repleta de argentinos por todos os lados. Ser argentino é o normal por lá. Perdi la cuenta de quantas veces me abordaram en español em minha brevíssima passagem pelo balneário celebrizado por la Bardot nos anos 60.

Na pousada, quando me declarei brasileira, a recepcionista disse: mas como teu marido fala bem o português, hein? Verdade seja dita, apesar de ser manezinho, ele tem cara de irlandês, mas_ é triste notar os brasileiros estão perdendo a capacidade de auto-identificar compatriotas em seu próprio solo! Capacidade essa que eu imaginava autóctone.

Chilenos e uruguaios também se sentem em casa por lá. A propósito, o lugar é bonito pacas. Na praia da Ferradurinha, me senti na Lagoa Azul. E as lulas de lá- humm- delícia! Bem molinhas, nem um pouco chicletudas.

Voltando a los hermanos. Eu adoro bater um papo com estrangeiros, até catalão eu mando de vez em quando, entonces, lá me senti en casa. Troquei várias ideias com nossos acordados del mercosur, e, não raro, me elogiavam: te pareces una argentina, yo pensava que eras argentina e por aí afora.

Eu, que acho que estética delas muito interessante – os pellos, las colores e todo más , adorei. Mas, quem me conhece, sabe: eu sou super discreta, só uso cores neutras, tenho o mesmo cabelo caretinha há mais de X anos, so… me chamar de argentina é no mínimo curioso.

Cheguei em Porto Alegre na madrugada de quinta e foi na quinta mismo que fui a Novo Hamburgo passar o dia com minha suegra e su padre, o velho Hugo, biso da Anita.

Como não poderia deixar de ser, fomos às compras de sapatos. Não podemos evitar, é algo como a fumaça de Lost, muito forte e inexplicável. Minha sogra queria me dar um presente antecipado de aniversário (dia 13 de setembro, viu?). Programa irrecusável.

Eu tinha algo em mente_ uma rasteira, sapatilha ou gladiadora, de preferência cobre ou prata. Não sei de onde tirei isso, mas era exatamente o que eu queria. Não achei, provei várias e terminei por comprar uma sandália maravilhosa na Arezzo, clarinha, discreta, mas charmosérrima.

Bueno, ontem, estava eu na piscina (fora, não dentro, não sou louca) conversando com uns vizinhos. Chimarrão, bergamota e o papo girava em torno dos hermanos que vêm ao nosso litoral. Aí um vizinho contou uma história muito elucidativa para mim.

Há muitos anos, ele e sua esposa, a colombiana Cláudia– um Gordon Ramsay de saias- estavam no Rio com extrangeros de todo el mundo. De longe, ele apontou para umas mulheres e disse: são argentinas. Cláudia questionou. Depois constatou que ele estava certo. ?Como lo sabia? Segredo de estado, passou anos sem explicar.

Um dia confessou: pelo brilho dos sapatos; uma argentina legítima sempre calça sapatos dourados, prateados ou acobreados. Bingo! Voltei de Búzios com alma de argentina, só pode ser. Amanhã repico os cabelos, só em cima.

O Rio de Janeiro continua lindo – parte 1

Por Ana Emília Cardoso

É, voltei. A contragosto, que isso fique bem registrado. O Rio de Janeiro é demais. Há 8 anos eu não visitava a cidade maravilhosa e pra minha surpresa, tudo estava ainda mais lindo e bem cuidado. Não quero parecer ingênua, apenas vou narrar as minhas experiências, ok?

Desta vez fiquei no Arpoador, entre Copacabana e Ipanema. O hotel (Cristal), onde me hospedei, não é nenhum primor. Na internet fala-se em barulho, cheiro ruim e mau atendimento na recepção. Eu, que não sou uma pessoa com muitas frescuras, achei ótimo. A cama e o chuveiro são excelentes, tem internet na recepção, wifi no quarto e o café é muito preciso – ciabattas e frios deliciosos, frutas, iogurtes e mini sonhos de doce de leite. Pra que mais? Odeio olhar um buffet gigante e ver mil tipos de coisas que eu não gosto. No Cristal é justamente o contrário: poucas opções e todas interessantes.

O dono é um italiano troglodita que se esforça para falar português. Eu tenho um pouco de birra de italiano, porque na Itália passei por poucas e boas. Mas, ok, recomendo a hospedaria. Foi o mais barato que achamos naquela região.

A zona sul é um astral. A larga ciclovia na orla da praia (toda coberta com wifi), metros e mais metros de areia clara, gente linda e bem à vontade, sem saltos, penduricalhos, maquiagens, ninguém botando panca_ simplesmente sensacional. As ruas estão limpíssimas, não vi um cocô de cachorro, prostituição ou mendicância. Carrinhos motorizados varrem calçadas e ciclovias o tempo todo. As praias estão repletas de lixeiras (que são recolhidas por uma caminhonete ao anoitecer) e espaços para crianças com toda sorte de brinquedos, fraldários e duchas.

No final da tarde, Copacabana, Ipanema e Leblon ficam tomados de escolinhas de futebol. A maioria delas, do Flamengo. É um barato_ e deve ser uma delícia participar. Várias aulas são ministradas por professoras, o que muito me agradou, pois não consigo nem imaginar isso aqui nessa terra machista (RS).

Tenho muitas e muitas coisas pra escrever, o que farei aos poucos porque tenho que botar a vida em ordem. Mas, prometo, amanhã tem mais_ aguarde os próximos capítulos e as fotos (que ainda nem baixei).

DICAS:

– aluguel de bike_ R$ 20,00 por 3 horas. Vale muito a pena. Dá tempo de dar um rolezão na Lagoa e ainda rodar a orla Leme-Leblon.

– espetinho mimi_ R$ 2,00 cada no quiosque do calçadão em Copacabana. Delícia.

– KONI_ uma rede de temakerias carioca. Nunca comi nada parecido. O ‘koni’ de tempurá de camarão com ovas é algo. R$ 9,00. Imperdível, viciei completamente. Tomara que algum gaúcho endinheirado abra uma franquia aqui. Diz o dono que todos os gaúchos que provam, se interessam pelo negócio. A franquia já tem mais de 30 lojas entre RJ e SP. Dedos cruzados.

O fantástico Vale dos Vinhedos

Por Ana Emília Cardoso

Você gosta de cachaça e de comida boa? Opa, tenho um programa perfeito pra ti: o Vale dos Vinhedos. Bem, cachaça é modo de dizer, porque lá -dãrrr- só tem vinho, óbvio.

Como sou descendente dos mesmos gringos que povoaram aquela região, me identifico demais com aquele universo. Os italianos sabem deixar os lugares bonitos. É tudo limpo, organizado, sempre em tons ocre, jardins parecidos, casas limpíssimas e massas fantásticas.

No caso específico do Vale (entre Bento Gonçalves e Garibaldi), o Sebrae deu uma senhora mão. As placas dos estabelecimentos – vinícolas, queijarias ou hosterias – são super padronizadas, com a mesma fonte, a mesma cor de fundo, logos com o mesmo estilo. Um show de bom gosto gráfico.

Outra coisa que eu gostei foi que eu não me senti discriminada por ser mulher em momento algum. Quando a gente entrava em uma vinícola, ninguém tratava meu marido de forma diferente da que me recebia, como acontece muito por aqui.

A primeira coisa que me chamou a atenção foi o aroma e o sabor dos vinhos. A segunda (negativamente em partes) foi o preço. Os vinhos lá custam muito mais caro que os chilenos que a gente compra no mercado em Porto Alegre.

Antigamente as famílias plantavam e vendiam suas uvas para as grandes como Miolo, Valduga, Aurora e outras. Produziam algum vinho para o consumo próprio apenas.

As uvas finas (varietal) não têm nada a ver com essas que a gente come, só a moscatel é a mesma que vai à mesa. Aliás, moscato é uva, segundo a proprietária da incrível Cavalleri, a casa com o melhor espumante que já provei.

De uns anos pra cá, os pequenos produtores se profissionalizaram.
Aumentaram sua produção e passaram a comercializá-la. As uvas mais comuns lá são tannat, cabernet sauvignon e franc, merlot, touriga nacional, barbera e tem umas esquisitas também como teroldego, gewürztraminer entre outras.
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Como são feitos em pequena escala, esses vinhos são fantásticos. Porém, impossíveis de se encontrar a menos de R$ 50,00 a garrafa numa capital.

Os produtores são super gentis, educados e muito claros ao falar. Não fosse a incapacidade de pronunciar os dois erres de garrafa e parreiral, você não pensaria que eles pouco saem de lá. Dá um raiva quando a garafa quebra nas barica ou no pareral! A gente dava risada.

A Miolo é pra otário ver; depois de visitar as pequenas, numa gigante parece que tu tá tomando álcool com tang sabor uva. Además, nos contaram que grande parte da produção vem da Bahia, onde há de 3 a 4 colheitas por ano. Aqui há uma só. Qual uva tem mais sabor? Uma chance!

Imperdível na minha opinião: valontano (tem até espaço kids!), angheben, cavalleri, pecculiare, a hosteria do hotel casacurta (o filé recheado com gorgonzola e molho funghi é a coisa mais gostosa que eu comi nos últimos tempos) e o ristorante nonna metilde.