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Um bicho geográfico

Coitadinha da Anita, não para de coçar os pés. Nossas férias em Floripa foram ótimas, mas trouxemos de lá um souvenir nada agradável, um bicho geográfico. Pra quem não conhece, são pequenas larvas (Larva Migrans) que se enfiltram pela nossa pele e vão fazendo um caminho de dor e ardência.

A cura não é das mais complicadas, basta passar uma pomada chamada Thiabena e manter o local infectado sob rigorosa refrigeração. As minhocas odeiam frio. Faz uns três dias que estamos nessa função. No começo ela chorava de coceira e eu achava que era frescura. Depois vi que o negócio era sério, consultei uns médicos e tratei com Fernergan, Allegra e Berlison porque o caminho ainda não estava evidente, então parecia ser apenas uma alergia de picada de mosquito.

Eu já tive alguns bichos geográficos na época que vivia na Ilha do Mel. Não adianta, praia com cachorro é encrenca brava. Tenho certeza que a Anita pegou essas perebas num belíssimo dia de sol que passamos no Pântano do Sul. E pensar que ela até se enterrou na areia, meodeus!

O mais difícil é convencer uma criança a não coçar as feridas. Mas, estamos indo bem_ com os gritos de ESTÁ COÇANDOOOOOOOOOO mais espaçados a cada dia.

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No are babas

Aqui em casa, na Casa de Anita, não se vê novela. Eu nunca tive esse hábito e depois que virei mãe, o Discovery Kids é -de longe – o canal mais assistido no lar.

Ouvi dizer que isto é um consenso entre as mães. Adorei, nem fui atrás para saber se é verdade. Me sinto menos idiota assim, de ficar ouvindo tan ran ran ran ran – tan tan o dia todo, como se isso fosse normal. Pior é quando a Anita nem tá em casa e eu ligo a tv e -SIM- eu assisto desenhos como Louie ou Mr. Maker. São ótimos para aprender a fazer coisas e desenhos.

A situação se agrava se eu confessar que nossa tv tem mais de 100 canais. Melhor nem pensar no assunto. Não comentem, por favor.

Na semana passada a Anita falou que queria ver novela porque ela adorava novela. Eu sei que a tal Caminho das Índias foi um sucesso e várias pessoas próximas a mim (acho que todas na verdade) assitiram e incorporaram os are babas ao seu vocabulário.

Ela disse que todos os coleguinhas viam a novela e que ela também queria ver. Só não sabia que já tinha acabado, mas isto é um detalhe. Quando eu perguntei porque ela gostava, ela disse: porque tem beijo na boca, lógico. Socorro!

Saia justa na pracinha

Ana Emília Cardoso

A sinceridade infantil é uma virtude perigosa. Minha filha, a Anita, tem um ‘namoladinho’ na creche. Do nada a mãe dele parou de conversar comigo e com o resto da turminha que curte um happy hour pós-escolinha, a gangue da pracinha.

Quando digo parou, é parou total mesmo
. Antes, ficava de papo, vinha aqui em casa às vezes ou nos convidava pra ir na casa dela. Ultimamente mal cumprimentava. Estranhésimo.

A hipótese mais provável na minha opinião é que uma outra mãe tenha falado mal de mim pra ela. O motivo? Quando estávamos de quarentena por causa da gripe A do meu marido, um dia fui no mercadinho, ou ‘armazém’, como diz a avó da Ingrid (outra guriazinha da turma), e encontrei essa mãe com seus dois filhos.

Ela não os estava levando na escola nem saindo de casa há duas semanas com medo da gripe. E eu, toda serelepe, falei: Ah, nada a ver_ meu marido tá com a gripe e eu não estou desesperada. A mulher agarrou os filhos e começou a sair do mercadinho, andando de costas. Tive que rir. E eu vi elas de ti-ti-ti depois disso.

Bom, o que aconteceu eu não sei, só sei que a Anita nos ouviu comentar que a sua sogra de brincadeirinha andava estranha. Na sexta-feira passei por uma das piores saias justas da minha vida. Nos encontramos na saída da escola e não é que a Anita perguntou pra ela, bem séria: Ô mãe do fulano, eu to bem preocupada contigo. Por que você não fala mais com a minha mãe?!

Constrangimento geral.
Eu tentei consertar de todas as formas. Até o guarda ficou sem jeito. A Anita foi direto ao assunto, incrível. E o mais incrível ainda é que o resolveu, pois ontem, segunda-feira, a tal mãe estava toda sorridente na pracinha.

Mas, dessa vez, foi tarde demais, pois nós já estávamos indo pra casa de outra mãe fazer uma reunião e tomar um espumante e ela ficou de fora.

Maternidade e vaidade

Ana Emília Cardoso

Quando pensei em escrever esse texto, achei que era uma grande babaquice. Mas, depois, ponderei que a vida é mesmo um apanhado de babaquices e que eu deveria por esta ideia no papel blog.

Tenho conversado com muitas mães e noto que nós temos uma dificuldade enorme de estabelecer um limite em até onde somos mães e a partir de onde voltamos a ser mulheres. Porque é muito difícil ser as duas coisas ao mesmo tempo.

Um primeiro passo me parece ser deixar claro à prole que você não vive 100% em função dela, que tem vida própria. Se você convencer seus filhos disso, já é um ótimo caminho para convencer a si mesma. Dói deixar os filhos e trabalhar? Às vezes dói um pouco, mas é uma dor saudável.

Nós somos responsáveis pelos nossos filhos, mas não somos as pessoas com uma carta de exclusividade sobre eles. Temos que compartilhá-los com outras pessoas, até porque – um dia- sairão de baixo de nossas asas e eu espero que este dia seja muito tranquilo, sem qualquer sofrimento.

Outra coisa complicada é nossa auto-estim
a. Depois que nascem os filhos, serão eles e não nós, o foco central das fotos, dos afetos e o assunto principal dos encontros. Vida de mãe não é fácil, a gente vive descabelada, suja de comida, com dor nas costas e com um déficit de sono que em nada colabora com o nosso bem-estar.

Por isso, é muito importante lembrar que, mesmo sendo mãe, uma mulher segue tendo que se cuidar, fazer depilação, pintar as unhas, os cabelos, não engordar muito ou simplesmente continuar se cuidando na mesma medida que o fazia antes.

Se você não tinha vaidades, tudo bem, continue não tendo, o que não dá é pra se largar, tornar-se uma pessoa descuidada consigo mesma porque está sempre em função de cuidar dos outros, virar a mãezona (inclusive do seu marido).

Conheço muitos casos de mulheres que ficaram muito mais femininas e vaidosas depois de serem mães. E isto é muito bacana, como diria a Dani Entrudo. Eu, feminista que sou, acho que a gente tem que ficar bonita, não pra agradar os homens, mas pra nós mesmas. Dizem que as mulheres se arrumam para causarem inveja umas nas outras. Acho isso meio maldoso. Mas, enfim, se a gente se cuidar pra nós mesmas, pode ter certeza que as mulheres vão notar e os homens também. E até os nossos filhos percebem e ficam orgulhosos.

Ouvilam do Ipilanga

Um desses a Anita estava na grade da escola resmungando. O guarda perguntou o que ela estava falando. E ela: Eu to cantando. Você não sabia que eu sou uma cantora muito famosa?

Como fazer detergente ecológico

Se você ainda não fez o detergente do post anterior, talvez a Anita possa te ajudar.

A quarentena da gripe

Ana Emília Cardoso

Meu marido agora está com pneumonia_mais uma semana em casa
. Para um workholic como ele, isto significa, no mínimo, uma imersão num universo semi desconhecido_ a sua própria casa, 24 horas por dia.

Eu começo a desconfiar que tenho uma tendência natural à enfermagem. É bom cuidar deles, fazer sopinhas, tentar fazer com que se sintam melhor. Em tempo, a Anita só está com tosse e o nariz trancado.

Também é verdade que não consigo ficar o dia todo em casa. Não sei, isso vem de longe, desde pequena eu sou assim, pé-de-leque. Preciso dar uma saidinha de casa, senão eu morro.

Sábado o frio estava mais ameno e eu aproveitei para andar de bicicleta com a Anita. Luvas, casacos e nós duas fomos até o Gasômetro tomar uma água de coco e comer milho. Quando a bruxa tá solta, ela tá mesmo_ não sei como, mas roubaram meu celular.

Descobri que esse mundo tá perdido mesmo. Imagina um celular velho pra caramba, do modelo mais simples, detonado de tanto cair no chão. Vamos supor que não tenha sido roubado (quem o cobiçaria?). Uma pessoa encontra um celular, nas últimas, e ao invés de ligar e devolver, vende no centro (!).

Ligamos para o número e uma mulher disse que o tinha comprado ontem de manhã e estava em Viamão-RS. Ah, por favor_ em que mundo estamos