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Histórias urbanas (nojentas)

[Se você tem estômago fraco, não leia este post]

Há meses ouvi estas bizarrices, mas, na época, não havia tempo nem disposição para escrevê-las. Conheci uma menina que tinha uma amiga que estava com feridas na boca. Eram aftas profundas que nunca se curavam. A guria pulava de dentista em dentista e ninguém resolvia. Até que certo dia, um periodontista teve uma suspeita sinistra e encomendou-lhe uma série de exames.

O resultado confirmou o que ele temia: as crateras incuráveis na boca da pobre paciente eram resultado de uma bactéria muito rara, que só é em encontrada em, em, em CADÁVERES! O diagnóstico era preciso pela exclusividade do caso. A mocinha deveria estar saindo alguém que transava com gente morta. A menina, uma gauchinha do interior, perguntada sobre sua vida sexual, confessou que ficava, de vez em quando, com um cara meio estranho.

O médico pegou leve e foi explicando a situação paulatinamente. Ela, apavorada, assentiu em contactarem a polícia. Operação armada, invadiram a casa do rapaz e, adivinha só, o freezer estava povoado. Moravam naquela casa, o rapaz e mais duas mulheres, estas conservadas a – 10° C mas, ainda assim, com este frio todo, com um vida sexual ativíssima. Ele, o maluco, foi preso, os cadáveres enterrados e a garota voltou para sua cidade. Em tempo, isso aconteceu em Porto Alegre, no ano de 2009, a menina morava na Cidade Baixa, estava com uns vinte e poucos anos e eu não sei mais detalhes.

O outro causo é tão nojento quanto, por isso, se você ficou chocado (a) com este, é melhor parar por aqui. Infelizmente essas histórias não são lendas urbanas, aconteceram mesmo. A irmã de uma amiga minha mora no interior. Recentemente, a melhor amiga dela separou-se e veio morar na capital. Nova, bonitona e cheia do ouro. Conheceu um cara todo garboso e passou a sair com ele. Certa noite, após o roteiro completo dos hot dates – jantar, barzinho e sexo – pernoitaram em um conhecido hotel da cidade. Bem perto da minha casa, aliás, avisto o estabelecimento da janela do quarto diariamente, entre pores-do-sol e navios que atravessam o famoso rio.

Tudo estava ótimo, a noite tinha sido incrível. Fulana mal podia acreditar. Que bem tinha feito a si mesma de se separar do brucutu que vivia na zona! Isso sim era vida. Eis que o príncipe honorário acorda. Enche-lhe de beijos e vai ao banheiro. Leva junto uma bandeja. – Estranho – pensou. Na volta, uma surpresa: um baita cocô repousava no utensílio. Ops! Muda a trilha, escurece a imagem e o romance filme vira de terror. Sim, ele pediu a ela que comesse a “obra”, enquanto se masturbava. Não sei como ela lidou com isso, mas certamente ficou bem mal.

A morte

Ontem à noite recebi a seguinte mensagem: Amiga, a qualquer momento minha mãe se vai… Reza por ela… Bjs. Mesmo não sendo adepta de orações, mentalizei a mãe dela bem feliz em outro lugar, tão bonito quanto as casas que ela projetava.

A mãe da V. está com câncer na cabeça. O tumor é do pior tipo possível e havia desaparecido, mas ressurgiu com força total. Nós tínhamos até combinado de irmos juntas ao show da Amy, pois a sua mãe era muito moderninha, pintava uns quadros pra lá de loucos, muito surreais, estava sempre rindo e contando peripécias dos netos.

Por mais incrível que a a vida da E., mãe da V., fosse – repleta de viagens legais, exercícios diários, uma carreira bem sucedida, alimentos orgânicos e uma família bem estruturada e feliz – foi abreviada. Afinal, hoje em dia o padrão é viver além dos 80 anos.

Há alguns anos ela e o marido tiravam 3 meses por ano para viajar para um país e aprender a sua língua. Bem me lembro da última vez que conversamos, no Café Luna Laguna, no centrinho da Lagoa, ela me contou que havia comido exageradamente e tomado tanto vinho em seu período sabático em Paris que engordara um monte e não havia caminhada nem corrida que resolvesse o problema.

Mesmo curtindo a vida da melhor forma possível, ela ficou doente. Ao meu redor, vejo muita gente da minha idade com problemas de saúde também. Minha geração, que está com 30 agora, engole muitos sapos, que se transformam em tumores. Duas grandes amigas tiraram a tireóide nos últimos meses. Eu também monitoro alguns cistos próximos à glândula. Cada sapo que desce goela abaixo, é bem lá que sinto a dor_ me esganando. E olha que, às vezes, eles são gigantes.

A vida é tão imprevisível que, com certeza, não vale a pena a gente fazer coisas que nos deixam doentes e/ou conviver com pessoas que a intuição aconselha evitar. A maior ironia da existência é que as pessoas que devemos evitar são justamente as que menos adoecem e mais causam mal aos outros.

Definitivamente a mãe da V. era muito do bem, e por isso, acredito que ela vá para algum lugar muito especial em outro plano. E, se não for, ao menos foi muito feliz em vida e isso já é grande coisa, é o que devemos buscar a cada instante, já que não fazemos a menor ideia de quão próximo nosso fim está.

A samambaia fica

Ana Emília Cardoso.

Não se assuste, cara leitora, porque, apesar da febre*, eu não surtei e não, não vou falar da mulher samambaia. Meu assunto é um bocado mais antigo, do tempo que as mulheres não eram frutas nem verduras, muito menos folhagens demodés. No máximo não se depilavam nem um pouco, ao contrário de hoje em dia, e eram chamadas de Mata Atlântica ou selva amazônica em algumas situações.

Este caso aconteceu no fim dos anos 80, em Curitiba, na Rua Nilo Cairo, número 132, ed. Dona Henriqueta, quinto andar. Endereço de minha avó, Ema Mazalotti Cardoso.

Os motivos que me fazem escrever essas histórias são variados. Entre os quais, eu destaco: me lembro com clareza, não quero que essas histórias se percam e_ porque é muito mais fácil escrever sobre terrenos conhecidos e familiares.

Estou fazendo um curso de terapia literária com o premiado poeta e cronista Fabrício Carpinejar. Na semana passada ele nos explicou este assunto com a seguinte imagem: quando fazemos uma viagem longa, nem sabemos por onde começarmos o relato e, muitas vezes, nos calamos por não conseguir escolher o que contar. Em contrapartida, se vamos até Cachoeirinha, voltamos cheios de histórias e opiniões. Dito isso, voi-lá ao caso da samambaia.

Quando minha avó morreu, de câncer no pâncreas, algumas primas ficaram um tempo morando no apê dela. Bem, ela era de 1910. Se viva, completaria 100 anos em 29 de janeiro do ano que vem. Ou seja, era uma pessoa de antigamente. Sua casa era cheia de trequinhos que ela guardava há décadas, como convinha a qualquer pessoa que tivesse passado pelas guerras.

Um desses souvenires de vida, em especial, não estava muito de acordo com o senso estético de minhas primas, uma samambaia gigante, de plástico pra piorar.

Não foi uma nem duas vezes que elas tiraram tal adorno da sala de visitas. Botaram-no na área de serviço. E no dia seguinte, lá estava a ‘folhagem’ de volta à sala, bem no lugarzinho que a teimosa da Dona Ema gostava. Ai ai ai.

* Não sei como peguei uma gripe fora de época e estou péssima.

Uma história urbana assustadora

Dani Entrudo

Faz muito tempo que eu não escrevo no blog, hoje comentei com a Ana que ando muito envolvida no meu trabalho ultimamente e isso acaba tomando muito meu tempo. E não só isso, além do trabalho tem a natação uma vez por semana, o inglês mais uma vez, as sessões de fisioterapia, etc.

O fato é que hoje eu quero escrever, decidi isso no bar onde estávamos até meia hora atrás. Vou contar sobre o dia que eu e mais dois amigos fomos testemunhas de um assassinato, ou melhor, da ‘desova’ de um cadáver.

Isso aconteceu no verão de 2003, eu trabalhava em uma agência de publicidade em São Leopoldo, e eu e esses dois amigos havíamos combinado de vir para POA para uma ‘night’. Fomos para o tal local, mas a festa não rolou, então resolvemos dar uma volta pela Cidade Baixa.

Quando estávamos na Perimetral (Av. Siqueira Campos), logo após o viaduto da João Pessoa em direção ao Centro, eu ouvi um ruído de pneus cantando, olhei pelo retrovisor e vi um carro branco, um Gol ou Pólo quatro portas, e da porta de trás um dos caronas lançou um corpo de um homem.

O carro dobrou à direita em direção à Av. João Pessoa e o corpo ficou estendido no chão. Abre parênteses: eu tenho certeza que esse cara já estava morto dentro do carro, pois se não estivesse ele ía dar um jeito de segurar no carro ou na própria pessoa que o arremessara, fecha parênteses.

Rapidamente eu dei a volta na quadra e voltamos ao local, quando passamos por lá a polícia e transeuntes já haviam chegado e nós passamos ao lado do corpo que estava envolto em uma poça de sangue. Nós emudecemos.

Fomos para um bar na Cidade baixa e pedimos uma cerveja. Não tínhamos outro assunto. A nossa noite definitivamente havia acabado para nós. Nos perguntávamos: por quê? Quem era aquela pessoa? O que, e a quem ela devia? E a sua família? E quando a sua mãe ficasse sabendo do acontecido? Milhões de questões todas ao mesmo tempo… E nenhuma resposta.

O mais curioso é que durante dias semanas acompanhamos os noticiários da polícia nos principais jornais da Capital e nunca, nunca mesmo, saiu nenhuma matéria sobre esse acontecimento.

Mais histórias assustadoras

Ana Emília Cardoso

Quando eu morava em Curitiba costumava ir à Ilha do Mel nos finais de semana. Pra quem não conhece a ilha, há um detalhe que considero muito importante em sua constituição. A população nativa é formada de apenas duas grandes famílias, o que torna todos parentes em potencial.

Geneticamente, esta combinação de indíviduos de mesma origem é problemática, uma vez que tende a potencializar patologias nos grupos. Quem já esteve na ilha, certamente percebeu que os nativos (uso este termo, pois eles mesmos se orgulham de ser, não há uma detonação pejorativa) são todos muito parecidos.

A família Valentim, que se concentra nas Encantadas, na Praia Grande e no centrinho do Praia do Farol é uma delas. Um de seus mais ilustres membros se chamava Hildo e era o protagonista dos pesadelos de muita gente.

Ele era filho da vó Maria e irmão da Tia Claudina, famosas pelo surfcamp no canto direito da extensa Praia Grande. Quando o conheci, ele deveria ter uns 40 anos, era muito magro, com a pele bem escura e havia perdido a razão há algum tempo. Seu passatempo era encarar as pessoas e simular (ou não) que estava possuído por algum demônio.

Lembro de um carnaval, em 1997, que passei no camping da tia e o Hildo era meu vizinho de barraca. Naquela época a ilha ainda não tinha luz elétrica. Havia luz de gerador até as 2 hs da manhã e depois disso era um breu. De qualquer forma, a longa caminhada (uns 6 km) da tia até o agito (centro de Brasília) exigia não só lanternas como uma boa dose de coragem para encarar as trilhas.

Não que fosse perigoso, mas era sabido que o Hildo adorava assustar as pessoas na trilha. Especialmente algumas meninas, como a minha amiga Camila, que morria de medo dele.

Quando estava muito escuro, a gente ía de mão dada na trilha, sempre com outros grupos. E, de vez em quando, as gurias se davam conta que estavam de mão dada com o Hildo. Comigo nunca aconteceu, acho que era porque eu não tinha medo dele.

O mais engraçado eram os gritos de de: olha o Hildo!, de 5 em 5 minutos. Quem não tinha medo, zoava pra caramba.

No ano de 1999 eu morava na pousada do fotógrafo Flávio Vidigal, no Beco do Surfista, em Florianópolis. Um dia, o Vidigal estava todo nervoso porque a sua casa da Ilha do Mel tinha sido queimada. Adivinha quem estava dentro, causou o acidente e morreu queimado? O Hildo. Deve ter sido uma morte horrível, pois contam que uma vela ateou fogo ao teto, que caiu em cima dele, prendendo-o.

Histórias assustadoras

Por Ana Emília Cardoso

O video do suposto fantasma do finado Michael Jackson passeando pela mansão durante uma transmissão ao vivo me lembrou uma história que me apavorou boa parte de minha infância.

A tia da Diti, uma prima minha que morava em Palmas-PR, era cheia de histórias de fantasmas, almas penadas e mortos que íam lá encher o saco dela. Um dia, fomos lá para ela ler a nossa ‘aura’. Não, com 10 anos, eu não tinha mais nada a fazer nas férias.

Ela nos contou, com a maior naturalidade do mundo, que tinha um fantasma de uma mulher que todo dia ficava passeando pela casa dela. Ela, cheia de coisa para fazer, várias crianças para cuidar e o fantasma lá, pra cima e pra baixo.

Um dia, ela estava muito nervosa e falou pra fantasma: Escuta, por que você não me deixa em paz? Eu to aqui, cheia de serviço e você só fica zanzando pela minha casa. Por que não me ajuda, então? Não faz alguma coisa?

E saiu. O final da história, você já deve imaginar_ ela voltou umas horas depois e a casa estava toda arrumadinha. Roupa dobrada e guardada, louça lavada, chão varrido. Me lembro como se fosse hoje dessas descrições das tarefas realizadas pela alma penada.