Arquivo da categoria: feminilidades

Um lanche no meio da tarde

um ingreditente determinante

Cheguei do centro, onde estou fazendo fisioterapia, azul de fome. Hoje foi mais um daqueles dias que entramos – eu e Anita – uma na dieta da outra de sopas e não dá pra chamar de almoço o que aconteceu entre meio dia e uma hora nesta residência.

Como a Av. Getúlio Vargas estava sem luz em função de algo que aconteceu enquanto eu tomava meus choquinhos no calcanhar direito, pressenti que meu prédio (numa transversal) poderia estar as escuras e eu não estava a fim de subir 12 andares a pé, ainda mais na minha condição de manca.

Desci um ponto antes e passei num mercado desses de gringo com açougue, na R. Botafogo. Pra minha surpresa, lá tem até carré de cordeiro. Peguei algumas carnes e vim pra casa, sem ‘estragar meu apetite’ com um doritosinho, como me é de praxe.

Felizmente tinha luz aqui. Subi, juntei as coisas que tinham voado e sequei o closet que tava semi-alagado. E aí, sim, fui pra cozinha, merecendo um sanduíche digno.

Salguei e pimentei um bife de contra-filé e fritei com nada de azeite numa frigideira de teflon. Em quanto isso tostei fatias de pão integral. Pão, bife, queijo brie e uma salsinha por cima. Coisa mais gostosa do mundo. Tente fazer em casa, é uma delícia!

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SAPATOS!

Ana Emília Cardoso

Quase morri de emoção ontem. Minha sogra estava em Novo Hamburgo e eu fui buscá-la à tarde. Aproveitamos para ver uns sapatos, nosso programa preferido disparado. Passamos pelo centro, a super barateira Kathy só tinha boas opções para a Anita, que ganhou algumas sapatilhas.

Quando chegamos no Outlet da Arezzo, ao lado do shopping, um momento mágico aconteceu. A loja estava cheia de sapatos maravilhosos, da coleção de verão, com toda a numeração. E os preços, que normalmente íam de 149,00 a 300,00 estavam todos a partir de 49,00 indo – raramente – a 79,00. Era o primeiro dia de promoção, a primeira hora na verdade, elas estão remarcando os sapatos em média 30,00 a menos do que já estava em liquidação.

A gente tava tão feliz que parecia um sonho, eram 19 hs, a loja fechava às 20 hs e nós erámos as únicas clientes. Todo sapato que provei, eu amei. Ela idem. A Anita ficava desfilando com meias-patas altíssimas. Foi fantástico, chegamos em casa com milhares de sacolas e dessa vez nem as escondemos porque tínhamos certeza de ter feito um ótimo negócio.

Fica a dica: Outlet da Arezzo, na Nações Unidas. Tem sandália alta, rasteira, sapatilhas, scarpins TUDO!!!!!!!!!!

Sobre os salões

Ana Emília Cardoso

Nunca contei aqui, mas numa época atrás, andei frequentando outro salão (que não o que vou quase todos os dias_meu tratamento de beleza é à conta-gotas), mais ou menos perto de casa e, numa dessas vezes, fiz as unhas com uma louca. Ela me cortou muito. Acho que tem algum problema comigo. Síndrome de abandono.

Existem hoje tantos e tantos salões, que não existe muita fidelidade. No meu bairro deve ter uns 100 ou mais. Na minha quadra tem quatro, que é a média do bairro. Pensando bem, deve ter mais de cem, bem mais. Só nas ruas principais tem uns 20, 30 em cada. Olha, é coisa.

Então, fica difícil não mudar de vez em quando. Afinal, como qualquer relacionamento humano, o convívio no instituto de beleza é permeado por interações que sintetizam diversas relações de poder. Olha a socióloga ressucitando.

Dentro desse panorama de tantas opções, as manicures abundam e sabem que suas clientes não sao garantidas, o que as torna inseguras. Mas, um dia desses, num mega papo com a Ju, a minha #1, que pinta flores e estrelas na Anita, descobri que a categoria é mais perigosa do que eu imaginava.

Ela me falou que a outra (com quem a traí por algum tempo) devia ter me cortado de propósito e que, sim, há quem faça isso. Contou inclusive que a fulana em questão tinha até fama de fazer isso com as clientes.

Pensei e cheguei a conclusão que motivo de tanta raiva é que eu tinha sido cliente dela no passado, mas marcava por telefone com outra, não com ela. Na primeira oportunidade em que teve minhas mãos nas suas, vingou-se pelas múltiplas e escancaradas traições. Me cortou em três cutículas e ainda passou aquela base com formol, que arde. Vaca. Nunca mais vou lá.

Lanchonete, bar e restaurante

Ana Emília Cardoso.

Em outra encarnação eu tinha cnpj. E inscrição estadual. Só pode ser. E servia bolos, tortas, sanduíches, drinks e cafezinhos.

– Mãe, to com fome e sede.

– Como assim, não tem mais cerveja?

– Dona Ana, que horas sai o almoço? Vamos tomar um cafezinho?

Ou então, as amiguinhas de minha filha:

– Mãe da Anita, dá pra gente fazer um lanchinho? [Assim que entrou em minha casa, vinda de um restaurante onde a gente tinha acabado do almoçar].

– Ô, Anemilha
[a Lívia* me chama assim], você não ía fazer uma massinha? [Depois de comer iogurte, nuggets, chocolate, sucrilhos, bananas e outros]

E por aí vai.

Por que as pessoas olham pra mim e fazem o pedido antes mesmo de eu tirar o bloquinho e a caneta do bolso?

Talvez seja porque eu penso tanto em comida que isso acaba transparecendo aos outros. Acordo já pensando no almoço_ onde ou o que eu vou comer.

Meu lado feminista abomina isso, mas meu lado Dona Benta A-D-O-R-A!

Alguém aí quer uma batida? Acabei de fazer.

* A melhor amiga da Anita. Uma garotinha bem humorada que dá um dedo para não brigar e dois por um pratão de comida.

Maternidade e vaidade

Ana Emília Cardoso

Quando pensei em escrever esse texto, achei que era uma grande babaquice. Mas, depois, ponderei que a vida é mesmo um apanhado de babaquices e que eu deveria por esta ideia no papel blog.

Tenho conversado com muitas mães e noto que nós temos uma dificuldade enorme de estabelecer um limite em até onde somos mães e a partir de onde voltamos a ser mulheres. Porque é muito difícil ser as duas coisas ao mesmo tempo.

Um primeiro passo me parece ser deixar claro à prole que você não vive 100% em função dela, que tem vida própria. Se você convencer seus filhos disso, já é um ótimo caminho para convencer a si mesma. Dói deixar os filhos e trabalhar? Às vezes dói um pouco, mas é uma dor saudável.

Nós somos responsáveis pelos nossos filhos, mas não somos as pessoas com uma carta de exclusividade sobre eles. Temos que compartilhá-los com outras pessoas, até porque – um dia- sairão de baixo de nossas asas e eu espero que este dia seja muito tranquilo, sem qualquer sofrimento.

Outra coisa complicada é nossa auto-estim
a. Depois que nascem os filhos, serão eles e não nós, o foco central das fotos, dos afetos e o assunto principal dos encontros. Vida de mãe não é fácil, a gente vive descabelada, suja de comida, com dor nas costas e com um déficit de sono que em nada colabora com o nosso bem-estar.

Por isso, é muito importante lembrar que, mesmo sendo mãe, uma mulher segue tendo que se cuidar, fazer depilação, pintar as unhas, os cabelos, não engordar muito ou simplesmente continuar se cuidando na mesma medida que o fazia antes.

Se você não tinha vaidades, tudo bem, continue não tendo, o que não dá é pra se largar, tornar-se uma pessoa descuidada consigo mesma porque está sempre em função de cuidar dos outros, virar a mãezona (inclusive do seu marido).

Conheço muitos casos de mulheres que ficaram muito mais femininas e vaidosas depois de serem mães. E isto é muito bacana, como diria a Dani Entrudo. Eu, feminista que sou, acho que a gente tem que ficar bonita, não pra agradar os homens, mas pra nós mesmas. Dizem que as mulheres se arrumam para causarem inveja umas nas outras. Acho isso meio maldoso. Mas, enfim, se a gente se cuidar pra nós mesmas, pode ter certeza que as mulheres vão notar e os homens também. E até os nossos filhos percebem e ficam orgulhosos.

Mes madeleines et ma recherche du temp perdu

Ana Emília Cardoso

Estou num momento extremamente nostálgico e assim como as madeleines de Marcel Proust, memórias associadas ao paladar e o olfato me têm feito viajar no tempo, pra muitos anos atrás.

Ainda ontem, jantando no BarraShopping com mi marito, em busca de uma pizza com a massa bem fininha para acompanhar o chopp antes do filme Os Normais 2, me lembrei (pra quê?) da incomparável pizza do Anjo da Guarda.

Qual será o segredo daquela fatia de pizza com molho e queijo muzzarela? Não tem explicação, era algo fora do normal. O dia de pizza na cantina era quarta-feira e a fila era imensa. Eu, que vivia de vento quando criança, chegava a comer três fatias. Sei de ex-alunos que frequentam as festas juninas da escola até hoje por causa da pizza. Até eu iria se morasse lá.

Mais tarde, não sei por que cargas d’água, nos lembramos das balas Xaxá. Meu deus, minha vida era bala Xaxá quando eu tinha uns 14, 15 anos. Eu trocava todos os meus vts por bala na hora do recreio do Colégio Dom Bosco das Mercês. Cadê elas será, hein? Se alguém souber, principalmente, onde encontrar as de abacaxi, deixe um comentário aí, por favor.

Outras comidas que me fazem viajar no tempo, mas essas eu consigo fazer são a sopa da minha vó paterna (vó Ema) e a geleia de morango da minha avó materna (Alzira). A sopa é super fácil: batata, cenoura, macarrão pai nosso, caldo knorr, queijo ralado e um pouco de vinagre. Parece que eu estou estou na casa da vó Ema. Ouço até o barulhos dos carros. Ela morava num apê numa rua mega barulhenta e adorava ficar na janela contando os fuscas. Coisa de gente antiga.

A geleia já tem um lance mais complexo. Eu amava essa geleia e a minha avó portuguesa (a outra era italiana Lucchesi Mazalotti) fazia de vez em nunca. Até porque as formigas sempre atacavam os pés de moranguinho dela. Pra encurtar a história, a vó Alzira morreu nova, com menos de 70 anos, de ataque fulminante.

E, adivinha? Tinha feito uma geleia pra mim. Saboreei aquela geleia póstuma com a dupla tristeza de saber que não tinha mais avós e que nunca mais comeria algo semelhante. Mas, tchan-tchan-tchan-tchan_ anos mais tarde decidi fazer uma geleia, sem receita nem nada, e não é que saiu idêntica à da minha avó? E é uma delícia, quem conhece sabe, é espetacular. Obrigada vó, por me soprar a receita no ouvido.

O cinema vai à mesa

Ana Emília Cardoso

Ontem foi meu aniversário e eu ganhei um livro sensacional da Nise, uma das minhas melhores amigas. O livro O cinema vai à mesa elenca filmes com cardápios apetitosos e ensina a fazer as receitas. O máximo.

o-cinema-vai-a-mesa

Meu dia foi muito corrido ontem; acordei tri cedo, fiz uma prova dificílima, me deparei com uma festa surpresa, um churrasco com minhas top friends, a tarde toda tomando uns tragos e falando bobagem com as remanescentes e ainda peregrinação em busca de um restaurante para jantar com meu amado à noite.

Eu queria ir no Koh Pee Pee, um tailandês maravilhoso, mas assim como o Daimu e o Hashi, ele estava fechado e acabamos indo no Gokan da Bela Vista, que é infinitamente inferior ao da Padre Chagas, que estava fechado também. Não entendo isso, domingo à noite, a maioria dos restaurantes fecha. Será que as gauchas cozinham no domingo à noite? Deus me livre – domingo a noite eu tô podre, ainda mais se for meu aniversário, o que só ocorre de vez em nunca.

Quando deitei na cama e peguei o livro delicioso para folhear e ver qual filme iríamos assistir antes de dormir estaquei na página 154. Em meio àquele cenário fantástico de Maria Antonieta, a própria, interepretada pela fofíssima da Kirsten Dunst, está deitada numa chaise, enquanto uma ama tira os seus sapatos. Já fiquei imaginando uma massagem nos pés.

Massagem nos pés? Eu quero!

Massagem nos pés? Eu quero!

Os cenários, as roupas_ esse filme é demais.

Os cenáriso, as roupas_ esse filme é demais.

Eu sou totalmente contra as castas sociais, a escravidão e qualquer forma (inclusive a que vivemos) que diferencie os homens, mas se alguém pudesse fazer massagem nos meus pés cada vez que eu tirasse os sapatos, ah, eu seria tão mais feliz!

PS- Eu tenho joanete es quase morro de dores nos pés, estou pensando seriamente em operá-los. Não uso mais salto nem bico fino há séculos e até aumentei o número dos sapatos. Mas, não tem jeito, cada vez que eu corro ou uso uma bota um pouquinho apertada, meus pés latejam de dor.

PS II – Hoje vai rolar uma sopa de cogumelos (pg. 63), do filme A época da inocência.