A morte

Ontem à noite recebi a seguinte mensagem: Amiga, a qualquer momento minha mãe se vai… Reza por ela… Bjs. Mesmo não sendo adepta de orações, mentalizei a mãe dela bem feliz em outro lugar, tão bonito quanto as casas que ela projetava.

A mãe da V. está com câncer na cabeça. O tumor é do pior tipo possível e havia desaparecido, mas ressurgiu com força total. Nós tínhamos até combinado de irmos juntas ao show da Amy, pois a sua mãe era muito moderninha, pintava uns quadros pra lá de loucos, muito surreais, estava sempre rindo e contando peripécias dos netos.

Por mais incrível que a a vida da E., mãe da V., fosse – repleta de viagens legais, exercícios diários, uma carreira bem sucedida, alimentos orgânicos e uma família bem estruturada e feliz – foi abreviada. Afinal, hoje em dia o padrão é viver além dos 80 anos.

Há alguns anos ela e o marido tiravam 3 meses por ano para viajar para um país e aprender a sua língua. Bem me lembro da última vez que conversamos, no Café Luna Laguna, no centrinho da Lagoa, ela me contou que havia comido exageradamente e tomado tanto vinho em seu período sabático em Paris que engordara um monte e não havia caminhada nem corrida que resolvesse o problema.

Mesmo curtindo a vida da melhor forma possível, ela ficou doente. Ao meu redor, vejo muita gente da minha idade com problemas de saúde também. Minha geração, que está com 30 agora, engole muitos sapos, que se transformam em tumores. Duas grandes amigas tiraram a tireóide nos últimos meses. Eu também monitoro alguns cistos próximos à glândula. Cada sapo que desce goela abaixo, é bem lá que sinto a dor_ me esganando. E olha que, às vezes, eles são gigantes.

A vida é tão imprevisível que, com certeza, não vale a pena a gente fazer coisas que nos deixam doentes e/ou conviver com pessoas que a intuição aconselha evitar. A maior ironia da existência é que as pessoas que devemos evitar são justamente as que menos adoecem e mais causam mal aos outros.

Definitivamente a mãe da V. era muito do bem, e por isso, acredito que ela vá para algum lugar muito especial em outro plano. E, se não for, ao menos foi muito feliz em vida e isso já é grande coisa, é o que devemos buscar a cada instante, já que não fazemos a menor ideia de quão próximo nosso fim está.

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