Mistérios franco-germânicos

Ana Emília Cardoso.

Se minha família é cheia de histórias, a dele também não fica atrás. Pouca gente sabe, mas os Piangers estão em franco processo de desaparecimento. Entra no google e verás que além de meu célebre marido, pouco resta desta família original de Alsácia-Lorena.

Apesar da região hoje pertencer à França e do nome ter um significado italiano (piangere = chorar), eles são alemães. Resumidamente a região foi povoada por alemães no Império Romano Germânico, invadida por franceses (Luis XV), devolvida à Alemanha, retomada por franceses na I Guerra, incorporada ao III Reich e restituída à França em 1945.

No Brasil, se fixaram na região serrana do Rio Grande do Sul. Em Moreira, próximo à Igrejinha e Gramado. Falavam alemão, comiam pón com salsichón e chemia. Quando conheci os irmãos do vô Hugo, em 2005, eram dois: Ciro e Oscar.

Um deles morava ainda em Moreira, algo como uma estrada de terra em volta de uma pequena montanha. Não consigo imaginar civilização por lá. O velhinho estava mal. Nos pediu para procurar sua filha em Gramado e lhe encomendar remédios. Bem, Gramado é grande, e talvez ele não soubesse disso. Não encontramos a tal filha e o velhinho morreu naquela semana de problemas do coração. Não foi culpa nossa.

O outro Piangers morava num chalé grande, de madeira, ao lado do hotel La Hacienda, em Gramado. Eles adoram essas casas em formato de chalé. O vô sempre fala dos chalés que construiu por Novo Hamburgo.

Este nos lembrou muito um membro da Família Buscapé. Era inverno e o sol brilhava. Ele, que era o mais cabeludo e barbudo dos três, aproveitava o solzinho no interior do seu ‘auto’, um fusca do tempo do epa.

Levou um baita susto ao ver a gente. Parecia que não falava com ninguém há tempos. Soube que morreu no ano passado. Mas, o que há de estranho nisso? Explico. Cada vez que um novo Piangers nasce, ou alguém casa e muda seu nome para Piangers, alguém da escassa família morre. Assim tem sido, o que eu brinco ser a Maldição dos Piangers, em nome da qual não mudei meu nome de solteira.

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5 Respostas para “Mistérios franco-germânicos

  1. nossa, sabe mais da minha família do que eu mesma! Defnitivamente vc é um google!

    beijoooo cunhas!

  2. Por esse motivo a Anita não poderá ter irmão(ã)?

  3. Ana, morar em chale ao pe da montanha? tem certeza que eles estavam no Brasil? 🙂

  4. Sou muito a favor da preservação. Posso ficar com Anita enquanto vocês praticam a arte de dar continuidade a espécie. bjs

  5. Pô, não tinha a menor idéia dos detalhes da minha ascendência! Vc é gênio!

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