A samambaia fica

Ana Emília Cardoso.

Não se assuste, cara leitora, porque, apesar da febre*, eu não surtei e não, não vou falar da mulher samambaia. Meu assunto é um bocado mais antigo, do tempo que as mulheres não eram frutas nem verduras, muito menos folhagens demodés. No máximo não se depilavam nem um pouco, ao contrário de hoje em dia, e eram chamadas de Mata Atlântica ou selva amazônica em algumas situações.

Este caso aconteceu no fim dos anos 80, em Curitiba, na Rua Nilo Cairo, número 132, ed. Dona Henriqueta, quinto andar. Endereço de minha avó, Ema Mazalotti Cardoso.

Os motivos que me fazem escrever essas histórias são variados. Entre os quais, eu destaco: me lembro com clareza, não quero que essas histórias se percam e_ porque é muito mais fácil escrever sobre terrenos conhecidos e familiares.

Estou fazendo um curso de terapia literária com o premiado poeta e cronista Fabrício Carpinejar. Na semana passada ele nos explicou este assunto com a seguinte imagem: quando fazemos uma viagem longa, nem sabemos por onde começarmos o relato e, muitas vezes, nos calamos por não conseguir escolher o que contar. Em contrapartida, se vamos até Cachoeirinha, voltamos cheios de histórias e opiniões. Dito isso, voi-lá ao caso da samambaia.

Quando minha avó morreu, de câncer no pâncreas, algumas primas ficaram um tempo morando no apê dela. Bem, ela era de 1910. Se viva, completaria 100 anos em 29 de janeiro do ano que vem. Ou seja, era uma pessoa de antigamente. Sua casa era cheia de trequinhos que ela guardava há décadas, como convinha a qualquer pessoa que tivesse passado pelas guerras.

Um desses souvenires de vida, em especial, não estava muito de acordo com o senso estético de minhas primas, uma samambaia gigante, de plástico pra piorar.

Não foi uma nem duas vezes que elas tiraram tal adorno da sala de visitas. Botaram-no na área de serviço. E no dia seguinte, lá estava a ‘folhagem’ de volta à sala, bem no lugarzinho que a teimosa da Dona Ema gostava. Ai ai ai.

* Não sei como peguei uma gripe fora de época e estou péssima.

Anúncios

3 Respostas para “A samambaia fica

  1. Essa imagem da abertura está excelente! Essa da samambaia que volta…é coisa da Ditu…heehhehe

  2. que isso, fantasma????
    Uia, tua família tem muitas hsts engraçadas!

    Também adorei a imagem… e o blog, que tá ótimo!

    beijoo

  3. Compartilho da gripe fora de época. Que inferno…melhoras pra ti!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s