O casamento, segundo nossos avós

Ana Emília Cardoso

caso 1. avós maternos.

Minha avó ficou muito chateada no dia em que sugeri uma separação. Tão logo me dei conta das coisas, achei que era a melhor solução para eles. Que não tinham religiosamente nada a ver. Quer dizer, em comum mesmo, só tinham a religião. Eram adventistas e deles herdei o desejo incontrolável de dormir nos sábados à tarde.

caso 2. avó paterna.
Para ela o casamento era o mal da civilização e a sua história matrimonial não passou de uma sucessão de pequenas e médias tragédias. A começar pelo seu nome, que fora mutilado com o contrato nupcial. Nascera Ema Maria Lúcia Lucchesi Mazalotti. Casou para virar Ema Mazalotti Cardoso, a popularíssima dona Ema, como a conheci.

Com 40 anos, seu marido, o português Hercílio Loureiro Cardoso, caiu de Parkinson. E ela criou sozinha os 6 filhos. Quando perdeu a filha menor, Valderez, a Lelinha, aos 7 anos para uma meningite, desenvolveu uma série de manias. Entre elas, a de amaldiçoar o casamento.

Eu, como neta mais nova e a única que morava na mesma cidade que ela, fui criada ouvindo suas absurdas teorias. Teoria número um: a maior alegria de uma mulher é ter uma filha ou neta freirinha. Errou feio em apostar em mim, pois nem batizada eu fui. Número dois: um casal deve dormir com cobertas separadas para não se encostar na cama. Caramba, então pra que casar? Por aí vai, qualquer dia conto mais. Agora vamos ao outro lado da moeda, a família do meu digníssimo.

caso 3. avô paterno dele.
O velho Hugo Piangers beira seus 90 e está bem obrigado. Viúvo há mais de 10 anos, jamais cogitou se envolver com outra mulher. Seu casamento com Elza Lucchesi (uma coincidência) foi meio burocrático. Ela criou os filhos, ele era caminhoneiro. Educava bem, ele se limita a dizer.

Quando ele se acidentou e parou de viajar, a tutora dos alemãozinhos descobriu a vida. Os filhos já estavam criados e eles viraram estranhos um para o outro. Talvez sempre o tenham sido. Ela só queria saber de sair, viajar com as amigas, tomar ‘chimarrón’ na casa dos outros. Ele se dedicava aos netos. Com tamanha ternura que devia lhe causar ciúmes, ternura essa que nunca foi dedicada a ela.

Anita ensinando ao bisavô uns passos do Lazy Town.

Anita ensinando ao bisavô uns passos do Lazy Town.

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6 Respostas para “O casamento, segundo nossos avós

  1. ai que amor os dois!

  2. Tá, e qual a moral disso? Cada um tem uma hst matrimonial, mas e daí?! Onde vc quis chegar… !? haahahaha

    beijoooos, saudades enormes dessa pequena!

    Casa de Anita responde: Em lugar nenhum, é apenas um registro e uma reflexão.

  3. Ainda bem que a geração seguinte já descobriu que sim, o casamento só vale a pena!!!!!

  4. Gostei muito do seu blog, quer entrar no ocasional? Me manda um email no ocasional87@yahoo.com.br para mais informações, Abraços

  5. Oi Ana, tu és filha de quem? Sou neto do Oscar, irmão so võ Hugo!! Gde abraço!!

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