Mes madeleines et ma recherche du temp perdu

Ana Emília Cardoso

Estou num momento extremamente nostálgico e assim como as madeleines de Marcel Proust, memórias associadas ao paladar e o olfato me têm feito viajar no tempo, pra muitos anos atrás.

Ainda ontem, jantando no BarraShopping com mi marito, em busca de uma pizza com a massa bem fininha para acompanhar o chopp antes do filme Os Normais 2, me lembrei (pra quê?) da incomparável pizza do Anjo da Guarda.

Qual será o segredo daquela fatia de pizza com molho e queijo muzzarela? Não tem explicação, era algo fora do normal. O dia de pizza na cantina era quarta-feira e a fila era imensa. Eu, que vivia de vento quando criança, chegava a comer três fatias. Sei de ex-alunos que frequentam as festas juninas da escola até hoje por causa da pizza. Até eu iria se morasse lá.

Mais tarde, não sei por que cargas d’água, nos lembramos das balas Xaxá. Meu deus, minha vida era bala Xaxá quando eu tinha uns 14, 15 anos. Eu trocava todos os meus vts por bala na hora do recreio do Colégio Dom Bosco das Mercês. Cadê elas será, hein? Se alguém souber, principalmente, onde encontrar as de abacaxi, deixe um comentário aí, por favor.

Outras comidas que me fazem viajar no tempo, mas essas eu consigo fazer são a sopa da minha vó paterna (vó Ema) e a geleia de morango da minha avó materna (Alzira). A sopa é super fácil: batata, cenoura, macarrão pai nosso, caldo knorr, queijo ralado e um pouco de vinagre. Parece que eu estou estou na casa da vó Ema. Ouço até o barulhos dos carros. Ela morava num apê numa rua mega barulhenta e adorava ficar na janela contando os fuscas. Coisa de gente antiga.

A geleia já tem um lance mais complexo. Eu amava essa geleia e a minha avó portuguesa (a outra era italiana Lucchesi Mazalotti) fazia de vez em nunca. Até porque as formigas sempre atacavam os pés de moranguinho dela. Pra encurtar a história, a vó Alzira morreu nova, com menos de 70 anos, de ataque fulminante.

E, adivinha? Tinha feito uma geleia pra mim. Saboreei aquela geleia póstuma com a dupla tristeza de saber que não tinha mais avós e que nunca mais comeria algo semelhante. Mas, tchan-tchan-tchan-tchan_ anos mais tarde decidi fazer uma geleia, sem receita nem nada, e não é que saiu idêntica à da minha avó? E é uma delícia, quem conhece sabe, é espetacular. Obrigada vó, por me soprar a receita no ouvido.

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2 Respostas para “Mes madeleines et ma recherche du temp perdu

  1. Você é demais, com essa até me emocionei.
    Bjus,mãe

  2. Então esse é o nosso segredo?

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