Mais histórias assustadoras

Ana Emília Cardoso

Quando eu morava em Curitiba costumava ir à Ilha do Mel nos finais de semana. Pra quem não conhece a ilha, há um detalhe que considero muito importante em sua constituição. A população nativa é formada de apenas duas grandes famílias, o que torna todos parentes em potencial.

Geneticamente, esta combinação de indíviduos de mesma origem é problemática, uma vez que tende a potencializar patologias nos grupos. Quem já esteve na ilha, certamente percebeu que os nativos (uso este termo, pois eles mesmos se orgulham de ser, não há uma detonação pejorativa) são todos muito parecidos.

A família Valentim, que se concentra nas Encantadas, na Praia Grande e no centrinho do Praia do Farol é uma delas. Um de seus mais ilustres membros se chamava Hildo e era o protagonista dos pesadelos de muita gente.

Ele era filho da vó Maria e irmão da Tia Claudina, famosas pelo surfcamp no canto direito da extensa Praia Grande. Quando o conheci, ele deveria ter uns 40 anos, era muito magro, com a pele bem escura e havia perdido a razão há algum tempo. Seu passatempo era encarar as pessoas e simular (ou não) que estava possuído por algum demônio.

Lembro de um carnaval, em 1997, que passei no camping da tia e o Hildo era meu vizinho de barraca. Naquela época a ilha ainda não tinha luz elétrica. Havia luz de gerador até as 2 hs da manhã e depois disso era um breu. De qualquer forma, a longa caminhada (uns 6 km) da tia até o agito (centro de Brasília) exigia não só lanternas como uma boa dose de coragem para encarar as trilhas.

Não que fosse perigoso, mas era sabido que o Hildo adorava assustar as pessoas na trilha. Especialmente algumas meninas, como a minha amiga Camila, que morria de medo dele.

Quando estava muito escuro, a gente ía de mão dada na trilha, sempre com outros grupos. E, de vez em quando, as gurias se davam conta que estavam de mão dada com o Hildo. Comigo nunca aconteceu, acho que era porque eu não tinha medo dele.

O mais engraçado eram os gritos de de: olha o Hildo!, de 5 em 5 minutos. Quem não tinha medo, zoava pra caramba.

No ano de 1999 eu morava na pousada do fotógrafo Flávio Vidigal, no Beco do Surfista, em Florianópolis. Um dia, o Vidigal estava todo nervoso porque a sua casa da Ilha do Mel tinha sido queimada. Adivinha quem estava dentro, causou o acidente e morreu queimado? O Hildo. Deve ter sido uma morte horrível, pois contam que uma vela ateou fogo ao teto, que caiu em cima dele, prendendo-o.

Anúncios

3 Respostas para “Mais histórias assustadoras

  1. Não tenho nenhum comentário filosófico sobre o texto bem escrito da Ana.

    Apenas quero elogiar o blog, e lembrei-me da fase ” Pousada do Vidigal ” em 1999, quando éramos vizinhos de porta, e também nos adaptávamos à vida na Ilha.

    A vida inteligente por aqui custa a se proliferar, mas há esperança.

    Beijão Ana, e parabéns pelos textos irretocáveis

    Daniel Arena

    CasadeAnita responde: obrigada Dani, aquela época era muito legal. Tenho ótimas lembranças, tirando o dia que tu jogou um saco de pão na minha cama pela janela e eu levei um susto.

  2. Ana!

    Eu conheco (nao sei colocar a cedilha neste lap) um Valentim! kkk o Amani Valentim, ele eh nativo da ilha do mel, vou perguntar p/ ele do Hildo kkkkkk beijos

  3. eu assisti um filme que tinha uma mulher chamada anita
    so que a historia que vc contou nao tem nada a ve

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s