Justiça com as próprias mãos

Ana Emília Cardoso

Sabe aquela vontade de meter o bedelho na vida dos outros? De falar: fulana, não usa essa roupa que é cafona/ sicrana, manda o teu marido à merda porque ele é um babaca. Estou sempre no limiar de tomar essas atitudes, às vezes, eu até tento – de forma sutil e, normalmente, sem sucesso.

É muito complicado influir em determinados assuntos. Acho que sou tão discreta quando tento, que pareço aquelas crianças que não se entende que música cantam porque cantam pra dentro.

A grande questão me parece ser: se o privado do outro torna-se público, ele deve continuar sendo tratado como privado? Por exemplo: se você escuta um homem bater em sua mulher ou em filhos, você chamaria a polícia ou o conselho tutelar? E se esse homem fosse da polícia? Uma coisa é certa, se calar é sempre o mais cômodo, o fácil.

Fácil por fácil, não juntar lixo do chão, não fechar direito uma torneira em um banheiro público também é mais fácil. Mas é o difícil que consegue tornar o mundo melhor. Pena que nem sempre temos competência (no sentido de poder e direito) para resolver as coisas.

Eu lembro de um seriado chamado ‘Justiça final‘, que o protagonista Nicolas Marshall não poupava criminosos na calada da noite e fazia, como dizia o bordão do programa ‘justiça com as próprias mãos’. Nessa época eu tinha um colega de turma (isso deve ter sido em 93) chamado Marcelo Lipatin. Ele já jogou no Grêmio e hoje acho que está no Náutico.

Um dia, chamaram ele na sala durante uma prova. Seu pai havia sido assassinado. A gente sempre sacaneava ele porque ele era parecido fisicamente com o Nicolas Marshall e daquele dia em diante passou a ter um história parecida também, porque a chamada do seriado falava assim: primeiro eles mataram minha família_ ou algo do gênero. Mas, não acho que o Lipatin tenha sujado suas mãos para fazer vingança não, No máximo fez uns gols contra o time dos criminosos.

O difícil e talvez ideal é justamente isso – marcar uns gols – e não arrumar confusão. Resolver um problema, sem criar outros.

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3 Respostas para “Justiça com as próprias mãos

  1. Tiene la locatione nueva, djah?

  2. Realmente, é muito difícil não dar pitaco na vida dos outros. Ver coisas erradas e ficar calado. Concordo que precisamos fazer o díficil mesmo. Pessoas para fazer o fácil, temos aos montes por aí, e quem diz o que deve ser dito, está aí para fazer a diferença.

    Precisamos de pessoas mais sinceras e mais honestas. Porém, a grande questão é: Será que todo mundo está realmente disposto a ouvir a verdade?

    Já passei por situações de dizer a verdade e depois ser a má da história. Não sei se já te aconteceu… Sempre vivo situações do tipo Abel e Norminha.

    Percebi, também, que as vezes é preciso entender que ‘certas’ pessoas preferem viver a vida da forma errada

    CASADEANITA responde: você disse tudo. o pior de se meter é nao resolver nada. se os homens tripudiam nas mulehres é pq elas mesmas legitimam este comportamento. eu faço minha parte e sou temida pelo maridos infiéis como uma dedo-duro em potencial. melhor do que ser conivente com práticas q considero escrotas!

    mesmo e são coniventes com a situação. Típico ditado: em briga de marido e mulher niguém mete a colher!!! Eu já meti, o casal fez as pazes e eu sobrei… haha!!!

  3. AnaEEE!!! não acredito que você ainda lembra do Nicholas Marshal!!! “Antes ele acreditava no sistema”. Lipatin.

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