Sí, yo soy una argentina

Ana Emília Cardoso

Búzios, pronuncia-se bú-ci-os
, é uma belíssima península no litoral carioca, repleta de argentinos por todos os lados. Ser argentino é o normal por lá. Perdi la cuenta de quantas veces me abordaram en español em minha brevíssima passagem pelo balneário celebrizado por la Bardot nos anos 60.

Na pousada, quando me declarei brasileira, a recepcionista disse: mas como teu marido fala bem o português, hein? Verdade seja dita, apesar de ser manezinho, ele tem cara de irlandês, mas_ é triste notar os brasileiros estão perdendo a capacidade de auto-identificar compatriotas em seu próprio solo! Capacidade essa que eu imaginava autóctone.

Chilenos e uruguaios também se sentem em casa por lá. A propósito, o lugar é bonito pacas. Na praia da Ferradurinha, me senti na Lagoa Azul. E as lulas de lá- humm- delícia! Bem molinhas, nem um pouco chicletudas.

Voltando a los hermanos. Eu adoro bater um papo com estrangeiros, até catalão eu mando de vez em quando, entonces, lá me senti en casa. Troquei várias ideias com nossos acordados del mercosur, e, não raro, me elogiavam: te pareces una argentina, yo pensava que eras argentina e por aí afora.

Eu, que acho que estética delas muito interessante – os pellos, las colores e todo más , adorei. Mas, quem me conhece, sabe: eu sou super discreta, só uso cores neutras, tenho o mesmo cabelo caretinha há mais de X anos, so… me chamar de argentina é no mínimo curioso.

Cheguei em Porto Alegre na madrugada de quinta e foi na quinta mismo que fui a Novo Hamburgo passar o dia com minha suegra e su padre, o velho Hugo, biso da Anita.

Como não poderia deixar de ser, fomos às compras de sapatos. Não podemos evitar, é algo como a fumaça de Lost, muito forte e inexplicável. Minha sogra queria me dar um presente antecipado de aniversário (dia 13 de setembro, viu?). Programa irrecusável.

Eu tinha algo em mente_ uma rasteira, sapatilha ou gladiadora, de preferência cobre ou prata. Não sei de onde tirei isso, mas era exatamente o que eu queria. Não achei, provei várias e terminei por comprar uma sandália maravilhosa na Arezzo, clarinha, discreta, mas charmosérrima.

Bueno, ontem, estava eu na piscina (fora, não dentro, não sou louca) conversando com uns vizinhos. Chimarrão, bergamota e o papo girava em torno dos hermanos que vêm ao nosso litoral. Aí um vizinho contou uma história muito elucidativa para mim.

Há muitos anos, ele e sua esposa, a colombiana Cláudia– um Gordon Ramsay de saias- estavam no Rio com extrangeros de todo el mundo. De longe, ele apontou para umas mulheres e disse: são argentinas. Cláudia questionou. Depois constatou que ele estava certo. ?Como lo sabia? Segredo de estado, passou anos sem explicar.

Um dia confessou: pelo brilho dos sapatos; uma argentina legítima sempre calça sapatos dourados, prateados ou acobreados. Bingo! Voltei de Búzios com alma de argentina, só pode ser. Amanhã repico os cabelos, só em cima.

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