Maracatu ‘cool’ em Porto Alegre

Por Dani Entrudo

Ontem conheci um lugar no mínimo inusitado. O local chama-se Afro-sul, é um centro cultural que fica na Ipiranga, 3850 e que tem como principal papel divulgar e promover a cultura negra no Estado, no Brasil e no exterior. Dou os créditos ao Teteu (Matheus Vasconcellos), sobrinho do meu marido, que nos fez o convite.

No local de tudo um pouco, todas as tribos: rastafaris, hippies, skatistas, surfistas, patricinhas de chapinha e sombra azul nos olhos, pessoal do Marinha, do Partenon e muita gente da UFRGS, só não se via Emo e Punk, realmente não é lugar pra eles. A média de idade era 24 anos, mas também encontramos crianças de 4 ou 5, assim como homens e mulheres por volta dos 40… Pena eu não ter levado a minha câmera, fiz umas fotos e vídeos do celular, mas ficaram muito ruins.

A festa rola num pátio com uma construção em volta e área a céu aberto no meio. Com certeza o local ainda não recebeu a visita da SMAM, se não já estaria fechado, pois não há saída de emergência e nem extintor de incêndio. A entrada é bem baratinha, R$ 2,50 e tem ceva de R$ 4,00 a R$ 5,00. Ah, e eles servem caldo de feijão (R$ 3,00).

Ontem, em função do calor havia muita gente, e todos esperavam pela sensação da noite: o Maracatu. Por volta de 21h30 eles chegaram, tocando suas Alfaias (tambores típico do Recife), com aquela roupa brilhante e colorida, muito lindo! O Maracatu invadiu Porto Alegre, movimento Mangue Beat total e viva a Nação Zumbi! Me vi de volta aos 18 anos num show do Chico Science e Nação Zumbi no Opinião, “macaratu atômicoooo, anamauê, auêia, aê”.

Uma hora eu e o André percebemos que só nós não éramos conhecidos de ninguém, pois pelos papos que rolavam a gente via que ali todo mundo se conhecia. Tomamos a nossa cevinha bem gelada e fomos pegar um pouco de ar, porque dentro do galpão onde acontecia o show estava insuportavelmente calor.

Pelo jeito esse é o mais novo ‘pico’ da galerinha ‘cool’ de Porto Alegre, para saber mais acesse http://ong.portoweb.com.br/afrosul/default.php. Além dessas festas aos domingos, o local também oferece oficina de Maracatu, capoeira e outras relacionadas à cultura negra.

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2 Respostas para “Maracatu ‘cool’ em Porto Alegre

  1. Olá, Dani. Legal ler esse post. Bom, faço pate do Maracatu Truvão desde o seu início, em 2004. Aos poucos, as pessos estão entendendo nossa idéia. Lá no Odomodê estamos desde maio de 2007, quando o Central do Samba migrou sua atividade dominical para lá. Na época, como convidados deles, ambos tocávamos no chão, praticamente um para o outro, e mais para alguns amigos, convidados e famliares. Hoje, passado tanto tempo, o calor e a pressão lá dentro quando tocamos é, para nós, algo indescritível. O Odomodê é muito mais do que um espaço cultural. É um instituto cultural, ponto de cultura do MinC, com várias atividades sociais e culturais. E olha, isso já tem pra mais de 30 anos!!! Muita coisa ali começou ou, se não ali, com envolvimento de algumas daquelas pessoas. O samba-rock, Pau Brasil, Luis Vagner, Bedeu, escola de samba Garotos da Orgia e por aí vai. O Odomodê é uma referência em resistência cultural em nossa cidade, e somos muito gratos por eles. Seja muito mais do que bem-vinda!

    Grande abraço,

    LUZ

  2. Esse era um momento muito especial para o Maracatu Truvão, que aprende essa cultura direto da fonte, ora trazendo mestres e batuqueiros, ora se deslocando até eles para ficar hospedado nas comunidades de Pernambuco, nas sedes das nações. O trabalho do grupo é baseado nos toques e cantos tradicionais das Nações de Maracatu e, embora o pessoal do grupo goste de Chico Science, não há música deles no repertório. Se tu conheceste o Maracatu Truvão no dia 16 de agosto, se trata de um dia da vinda de um mestre de Pernambuco, Mestre Gilmar, da Nação Estrela Brilhante de Igarassu-PE. Viva!! No perfil do Maracatu Truvão do orkut, há diversas fotos para quem quiser conhecer um pouco mais do trabalho, que conta com, além dessas apresentações para o público ‘cool’ como a Dani diz hehe, oficinas/apresentações em projetos sociais, parques, festas, vilas, clubes… Onde chamarem o Truvão e o ‘tambor’ for respeitado, “não tem errada”. Mais uma coisa, tudo a ver com o blog: no dia 26 de setembro, teve um evento na casa do estudante da ufrgs que era organizado pelo coletivo de angoleiras, mulheres da capoeira angola. Era justamente um evento para afirmar a posição da mulher e lá estavam as mulheres do Maracatu Truvão fazendo sua batucada. Abraços e força!

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