Uma ode à Mikauê

Ana Emília Cardoso

Uma pessoa que vai à padaria de pantufas tem pontos comigo
. Claro que rosto lavado, dentes escovados e cabelos penteados são indispensáveis. Mas, o conforto quentinho de um pijama, um moletom apeluciado e uma boa pantufa peludinha são o crème de la crème da minha vida.

Na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, ainda há quem saia de pantufas para dar um recado ao vizinho ou esteja de pijamas quando sai, às escuras, para checar se tem onda na Joaquina. São pessoas que não se envergonham de estar assim, mais à vontade sem que isso represente vulgaridade ou desleixo.

Talvez no fundo, compreendam a verdadeira importância do dia, da vida e de sua própria existência. Porque não é uma camada de base e/ou um terninho que deixam alguém melhor do que outra pessoa. Um sorriso, com dentes bem cuidados, causa um impacto muito maior que muita produção, especialmente quando a natureza não ajudou muito o ou a produzida em questão.

Tenho uma amiga lá, a Mikauê, que hoje trabalha 15 dias por mês no Rio e está até meio perua que era muito figura quando tínhamos uns 23 anos.

A gente morava na mesma rua. Como a mãe dela é super natureba, come só sementes e vive de vento, a Mika, gulosa que é, vivia na minha casa atrás de comida. Acordava e ía, não olhava nem no espelho. Lembro de uma vez que não tinha nada pro café-da-manhã, então propus a ela irmos ao mercado.

Ela topou e foi do jeito que estava (camisola com calça de pijama e havaianas com meia, o must!). Devia ser umas 9 ou 10 horas, sábado. Fomos ao Mercado da Magia, bem no centrinho da Lagoa. A Mika nem tchun, encontrava as pessoas, cumprimentava normalmente_ mas, bah, na saída ela encontrou um gatinho da faculdade. Aí ficou com vergonha, mas nada demais, só aquela sensação de que não precisava dessa.

Eu quase morria de dar risada. Ha uns anos atrás, a mesma Mika se emputeceu quando foi convidada para um casamento chiquérrimo no melhor bristrot de Floripa. Na época, eu não entendi o motivo da indignação. Hoje, de certa forma, eu começo a compreendê-la. Que estranha a necessidade que as pessoas têm em ostentar e querer parecer melhores do que de fato o são. Por mim, andava todo mundo de pantufa_ 24 horas por dia. Tenho certeza que o mundo ía ser bem melhor.

Olha a Mika aí, numa momento mais ‘produção pra night’. Vou manter a legenda que botei no orkut dessa foto.

Carmencita da felicidade, eu e Mikauê. Só em Floripa mesmo pra ter gente com esses nomes!

Carmencita da Felicidade, eu e Mikauê. Só em Floripa mesmo pra ter gente com esses nomes![/caption

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3 Respostas para “Uma ode à Mikauê

  1. Anaaa,

    Gostei dos comentarios, eu ja tinha até equecido!
    Eu era mesmo um pouco sem noção, mas vou te dizer que agora acho que estou um pouco pior.
    Beijão

  2. Concordo contigo. Acho que o que realmente importa é o que somos por baixo da base e do pó compacto. E confesso que ia adorar um mundo onde todos saem de pantufa. Ia ser demais!
    *———* Adorei teu blog. Se der, passa no meu?

    bjaoooo.

  3. Casa de Anita responde: hahaha, confesso que escrevi esse post pq fui levar meu marido pro trampo hj de pijama. pior q ainda passei nuam loja alugar muletas pq ele ta com pé enfaixado. fui de pijama mesmo, na maior, ainda encontrei uma amiga na frente do trabalho dele e fiquei de papo 😉

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