Arquivo do mês: agosto 2009

A idade para casar

Ana Emília Cardoso

Hoje recebi um convite da filha de um primo que é formada em medicina e vai se casar. Ela tem 25. Eu pensei: caramba, tão novinha e já vai c-a-s-a-r!

Aí me lembrei que também estava prestes a juntar os trapos com essa mesma idade. E também lembrei de várias teorias que eu tinha a respeito dessa época da vida.

Noto que as pessoas estão casando mais tarde. Conheço muita gente com mais de 30 solteira aqui em Porto Alegre. Ouço falar bastante sobre um suposto ‘desespero’ para casar das mulheres nessa faixa etária em oposição a um total comodismo masculino, principalmente da parte dos que moram com os pais.

Sempre acreditei (e essa deve ser a minha teoria #522) que um homem solteiro, que se gaba dessa situação, leva uma rasteira violenta da vida perto dos 50. Ser solteiro com 30 é o máximo de liberdade que a sociedade [machista] lhe outorga.

Com 40, o sujeito tende a insistir em uma vida com múltiplas possibilidades. Agora, quando vem os 50 e ele não tem mulher, não tem filho e a mamãe já não está mais tão disposta a mimar seu filhinho, ou está velhinha mesmo. Aí o cara só falta enterrar o Santo Antônio. Viram donzelos casamenteiros.

Outra teoria que eu nem sei mais se acredito, mas muito a propaguei por aí, é a dos casamentos aos 25. Quando as mulheres reclamam que não tem homem por aí, elas têm que se fazer a seguinte pergunta: com quem eu andava quando tinha meus 24 anos? Ou então, onde estão os homens de 24, 25 solteiros?

É, normalmente, nessa época que jovens adultos se encontram e constroem planos em comum, ou – instucionalmente – se casam. Os 25 são uma idade emblemática. É ali que você define como será sua vida adulta. Não que todo mundo vá casar com 25 anos, mas passa a encaminhar sua vida em um sentido ou outro.

Acredite, os melhores homens se casam nessa época. O que sobra são os galinhas, os que ninguém quer e os que nunca vão deixar o conforto de morar com os pais, não ter responsabilidade pela vida de outra pessoa que não si mesmo.

Pouco importa aqueles longos namoros da adolescência
. Todas as minhas amigas que estão solteiras hoje, da geração 77, eram as mais namoradeiras e românticas. Já as encalhadas (como eu) daquela época, estão todas aí, com seus filhotes.

E note, isso não significa nada. Ninguém está melhor do que ninguém em função disso. O bom mesmo é ter 25 anos_ deixar de ser velho junto aos de 20 e passar a a ser um adulto jovem. Melhor ainda é ter bastante discernimento e saber aproveitar essa fase.

E com trinta e poucos, o que a gente faz, hein?

A difícil tarefa de escolher escolas

Ana Emília Cardoso

Tivesse eu nascido aqui provavelmente não estaria vivendo este dilema. Ela iria estudar onde estudei e pronto. No caso, a eficientíssima Escola Anjo da Guarda, em Curitiba.

Mas, ou melhor, mãs, aqui nos pampas, desprovida de um histórico escolar regional, lá vou eu peregrinar entre as escolas da capital gaúcha. Afinal, minha Anitinha está com seus 4 anos, já escreve um bocado de palavras, ensaia suas primeiras equações e faz planos pluri-esportivos_sapateado, patinação e aulas de circo.

Não posso mantê-la numa creche ad infinitum, num emaranhado de crianças com idades e conhecimentos variados a repetir no ano que vem o que já foi estudado em 2009 [o alfabeto].

Quando ela me vem com perguntas complicadas e eu digo: Não sei, eu não sei tudo. Ela diz: Pior eu, que ainda estou no ‘L’. Como se o dia que chegar no ‘Z’ vá dominar todo conhecimento do mundo.

Minha sogra ficou com ela enquanto eu e meu marido fomos ao Rio. Sogra que é, ficou instigando a pequena a nos pedir irmãos [mesmo estando ciente da dificuldade de criar apenas uma]. A Anita lhe disse: Vó, se a mami tiver mais um filho, tu vai ter 2 netos e a vovó Marly, 4.

Eloisa ficou impressionada: Anita! Já sabe fazer continha! E ela: o que é isso vó? Mas que a bichinha gosta de matemática isso é evidente, adora livrinhos com cálculos, aqueles com adesivos do ursinho Pooh.

Por essas e por outras tantas, precisamos encontrar uma boa escola para ela. De preferência que não seja construtivista, pois -infelizmente – na prática, hoje, esse termo é sinônimo de bagunça e falta de disciplina. No meu tempo não era assim. Nunca esquecerei o lema do Anjo da Guarda. ‘Eu sou alguém, eu respeito os outros e quero que os outros me respeitem’. Ainda hoje repito isso de vez em quando por aí_ quando necessário.

Como não tenho religião também não quero colégios com orações, padres e freiras. Missão complexa essa, hein?

Estranhas vontades

Ana Emília Cardoso

Dizem que as grávidas têm desejos esquisitos. Quem já foi ou já conviveu com uma sabe que isto é verdadeiro. Como bem ilustrou uma amiga, a Gabriela Toledo (2 filhos), não é aquela coisa que querer comer jaca de madrugada, mas ela mesma lembra de ter detonado um bolo quente com cobertura de abacate. Um receita que ela inventou vislumbrou na ocasião.

Apesar de ter 100% de certeza de não estar grávida, pois sinto até uma certa TPM, ando com vontades muito esdrúxulas. Exemplo? Arroz queimado. Quer mais? Água, só tomo com gás_ pães e biscoitos, sem nada, nem manteiga ou azeite de oliva. E mesmo as carnes já não têm me interessado muito.

Isso me lembra uma época da infância em que meus irmãos só comiam se tivesse feijão. Podia ter qualquer comida e a minha mãe até tinha umas empregadas que cozinhavam bem, mas, se não tivesse feijão, eles continuavam reclamando que estavam com fome, que não tinha nada pra comer, essas coisa de criança.

Nessa mesma era [do feijão] o mais novo – Hugo – agregou à sua dieta o repolho picado. Para dar uma crocância, dizia. O mais velho – Hercílio – gostava mesmo de ele próprio cozinhar. Só havia um receita: sopa com MUITO macarrão, as gororobas. Era muito ruim, parecia uma papa para cachorro. Até hoje eu cuido para as minhas sopas ficarem com consistência mais líquida que sólida. [trauma de infância].

O Rio de janeiro continua lindo – parte 2

Ana Emília Cardoso

Sem palavras, hoje baixei as fotos e vou deixar elas falarem por si.

Mirante do Leblon

Mirante do Leblon

Steak au poivre no Bar Devassa.

Steak au poivre no Bar Devassa.

Pôr-do-sol no Pão de Açúcar

Pôr-do-sol no Pão de Açúcar

Lagoa Rodrigo de Freitas e Ipanema/Leblon, vistos do Cristo

Lagoa Rodrigo de Freitas e Ipanema/Leblon, vistos do Cristo

Descanso num deck da Lagoa, mesmo de bike, dar uma volta na Lagoa cansa.

Descanso num deck da Lagoa, mesmo de bike, dar uma volta na Lagoa cansa.

Búzios! Praia da Ferradura. A paisagem é linda, mas a água é gelada de trincar.

Búzios! Praia da Ferradura. A paisagem é linda, mas a água é gelada de trincar.

Orla Bardot - rua das pedras

Orla Bardot - rua das pedras

As vitrines são algo!

As vitrines são algo!

Au revoir, crème de la crème!

Au revoir, crème de la crème!

O dever me chama, fui!

Sí, yo soy una argentina

Ana Emília Cardoso

Búzios, pronuncia-se bú-ci-os
, é uma belíssima península no litoral carioca, repleta de argentinos por todos os lados. Ser argentino é o normal por lá. Perdi la cuenta de quantas veces me abordaram en español em minha brevíssima passagem pelo balneário celebrizado por la Bardot nos anos 60.

Na pousada, quando me declarei brasileira, a recepcionista disse: mas como teu marido fala bem o português, hein? Verdade seja dita, apesar de ser manezinho, ele tem cara de irlandês, mas_ é triste notar os brasileiros estão perdendo a capacidade de auto-identificar compatriotas em seu próprio solo! Capacidade essa que eu imaginava autóctone.

Chilenos e uruguaios também se sentem em casa por lá. A propósito, o lugar é bonito pacas. Na praia da Ferradurinha, me senti na Lagoa Azul. E as lulas de lá- humm- delícia! Bem molinhas, nem um pouco chicletudas.

Voltando a los hermanos. Eu adoro bater um papo com estrangeiros, até catalão eu mando de vez em quando, entonces, lá me senti en casa. Troquei várias ideias com nossos acordados del mercosur, e, não raro, me elogiavam: te pareces una argentina, yo pensava que eras argentina e por aí afora.

Eu, que acho que estética delas muito interessante – os pellos, las colores e todo más , adorei. Mas, quem me conhece, sabe: eu sou super discreta, só uso cores neutras, tenho o mesmo cabelo caretinha há mais de X anos, so… me chamar de argentina é no mínimo curioso.

Cheguei em Porto Alegre na madrugada de quinta e foi na quinta mismo que fui a Novo Hamburgo passar o dia com minha suegra e su padre, o velho Hugo, biso da Anita.

Como não poderia deixar de ser, fomos às compras de sapatos. Não podemos evitar, é algo como a fumaça de Lost, muito forte e inexplicável. Minha sogra queria me dar um presente antecipado de aniversário (dia 13 de setembro, viu?). Programa irrecusável.

Eu tinha algo em mente_ uma rasteira, sapatilha ou gladiadora, de preferência cobre ou prata. Não sei de onde tirei isso, mas era exatamente o que eu queria. Não achei, provei várias e terminei por comprar uma sandália maravilhosa na Arezzo, clarinha, discreta, mas charmosérrima.

Bueno, ontem, estava eu na piscina (fora, não dentro, não sou louca) conversando com uns vizinhos. Chimarrão, bergamota e o papo girava em torno dos hermanos que vêm ao nosso litoral. Aí um vizinho contou uma história muito elucidativa para mim.

Há muitos anos, ele e sua esposa, a colombiana Cláudia– um Gordon Ramsay de saias- estavam no Rio com extrangeros de todo el mundo. De longe, ele apontou para umas mulheres e disse: são argentinas. Cláudia questionou. Depois constatou que ele estava certo. ?Como lo sabia? Segredo de estado, passou anos sem explicar.

Um dia confessou: pelo brilho dos sapatos; uma argentina legítima sempre calça sapatos dourados, prateados ou acobreados. Bingo! Voltei de Búzios com alma de argentina, só pode ser. Amanhã repico os cabelos, só em cima.

O Rio de Janeiro continua lindo – parte 1

Por Ana Emília Cardoso

É, voltei. A contragosto, que isso fique bem registrado. O Rio de Janeiro é demais. Há 8 anos eu não visitava a cidade maravilhosa e pra minha surpresa, tudo estava ainda mais lindo e bem cuidado. Não quero parecer ingênua, apenas vou narrar as minhas experiências, ok?

Desta vez fiquei no Arpoador, entre Copacabana e Ipanema. O hotel (Cristal), onde me hospedei, não é nenhum primor. Na internet fala-se em barulho, cheiro ruim e mau atendimento na recepção. Eu, que não sou uma pessoa com muitas frescuras, achei ótimo. A cama e o chuveiro são excelentes, tem internet na recepção, wifi no quarto e o café é muito preciso – ciabattas e frios deliciosos, frutas, iogurtes e mini sonhos de doce de leite. Pra que mais? Odeio olhar um buffet gigante e ver mil tipos de coisas que eu não gosto. No Cristal é justamente o contrário: poucas opções e todas interessantes.

O dono é um italiano troglodita que se esforça para falar português. Eu tenho um pouco de birra de italiano, porque na Itália passei por poucas e boas. Mas, ok, recomendo a hospedaria. Foi o mais barato que achamos naquela região.

A zona sul é um astral. A larga ciclovia na orla da praia (toda coberta com wifi), metros e mais metros de areia clara, gente linda e bem à vontade, sem saltos, penduricalhos, maquiagens, ninguém botando panca_ simplesmente sensacional. As ruas estão limpíssimas, não vi um cocô de cachorro, prostituição ou mendicância. Carrinhos motorizados varrem calçadas e ciclovias o tempo todo. As praias estão repletas de lixeiras (que são recolhidas por uma caminhonete ao anoitecer) e espaços para crianças com toda sorte de brinquedos, fraldários e duchas.

No final da tarde, Copacabana, Ipanema e Leblon ficam tomados de escolinhas de futebol. A maioria delas, do Flamengo. É um barato_ e deve ser uma delícia participar. Várias aulas são ministradas por professoras, o que muito me agradou, pois não consigo nem imaginar isso aqui nessa terra machista (RS).

Tenho muitas e muitas coisas pra escrever, o que farei aos poucos porque tenho que botar a vida em ordem. Mas, prometo, amanhã tem mais_ aguarde os próximos capítulos e as fotos (que ainda nem baixei).

DICAS:

– aluguel de bike_ R$ 20,00 por 3 horas. Vale muito a pena. Dá tempo de dar um rolezão na Lagoa e ainda rodar a orla Leme-Leblon.

– espetinho mimi_ R$ 2,00 cada no quiosque do calçadão em Copacabana. Delícia.

– KONI_ uma rede de temakerias carioca. Nunca comi nada parecido. O ‘koni’ de tempurá de camarão com ovas é algo. R$ 9,00. Imperdível, viciei completamente. Tomara que algum gaúcho endinheirado abra uma franquia aqui. Diz o dono que todos os gaúchos que provam, se interessam pelo negócio. A franquia já tem mais de 30 lojas entre RJ e SP. Dedos cruzados.

Meu dia

Por Dani Entrudo (editora interina e aniversariante do dia)

Hoje é meu aniversário, esse é o meu último ano na casa dos 20, pois estou completando 29 anos. Hoje eu fico bem feliz quando digo pra alguém que tenho 29 anos e a pessoa se admira, pois acha que sou mais nova. Mas nem sempre foi assim.

Lembro que eu me odiava na adolescência: bochechas vermelhas, meio gordinha, muito branca (isso não mudou), com 1,60cm (isso também não mudou) e sem peitos. Quando eu e minhas amigas tentávamos entrar em algum lugar para ‘maiores’, eu sempre era barrada. Isso me dava uma raiva tão grande! Minhas amigas, da minha mesma idade, eram todas altas e peitudas, nunca ninguém ia barrar elas, mas comigo era sempre a mesma estória.

Com o tempo o meu corpo e minha mente foi tomando forma, e hoje, com toda a certeza eu me gosto e me acho bem mais interessante que na adolescência (e hoje também não sou mais barrada em nenhum lugar). E não me preocupo muito com essa coisa de ser bonita ou não. Procuro me sentir bem, isso pra mim é o mais importante de tudo. Estar bem, estar rodeada de pessoas que eu amo, pessoas que me fazem sentir à vontade, essas coisas…

Acho que isso é um dos primeiros sinais de crescimento.