Mania de dar doce

Por Ana Emília Cardoso

Em 2006, quando me mudei para Porto Alegre, minha filha estava com um ano e meio e jamais havia provado um chocolate. Nós morávamos em Florianópolis e lá, principalmente na Lagoa da Conceição, não é comum crianças tomarem sucos artificiais, comerem doces e junk food. Pelo menos até os três anos, não há Mc Lanche Feliz no cardápio da petizada.

No aniversário de um ano dela, eu estava viajando e minha sogra levou um bolo para a escola. Na véspera, recebeu inúmeras recomendações sobre como deveria ser a massa, a cobertura e o mais importante, que o suco deveria ser natural. Note que esta não era uma escola ‘natureba’, waldorfiana, construtivista ou algo do gênero.

O que ocorre é que lá grande parte das pessoas têm uma consciência sobre saúde e alimentação bastante evoluída por assimilar rapidamente descobertas e correntes que melhorem a qualidade de vida.

Ao contrário, no Rio Grande do Sul, costumes enraízados perpetuam práticas nocivas à saúde sem qualquer confrontamento. Uma delas é a ‘mania’ de dar doces para crianças. ‘Damos porque fomos criados assim‘ ou ‘É só uma agradinho‘ são explicações corriqueiras.

Raros são os dias que minha filha – hoje com quatro anos – não chega com doces da escola. Os piores são aqueles kits de aniversário com balinhas de açúcar, algodões-doces, pirulitos grudentos entre outras ‘porcarias’. O resultado imediato destes costumes são as cáries precoces, a má alimentação e o excesso de crianças alérgicas.

Corantes artificiais e carnes gordas catalizam os processos alérgicos nas crianças. Acho que muitos pais deveriam parar um pouco para avaliar o que estão oferecendo aos seus filhos. É muito mais fácil deixá-los felizes da vida entre pacotes de bala, de salgadinhos e bolachas do que ensiná-los a comer frutas e verduras. Mas, o que é melhor: levar o seu filho a uma feira, mostrar a diversidade da natureza ou correr de um lado para o outro, do dentista para o alergista e gastar os tufos com vacinas e remédios?

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3 Respostas para “Mania de dar doce

  1. Comeu tudo…direitinho…a salada…arroz, feijão…uma carninha…suquinho…e um docinho…depois…claro. Criança sem doce é cachorro sem osso. Mas tem que comer maçã…e escovar os dentes…não comer a pasta.

    Casa de Anita responde: Ok, claro. Me referia a pessoas que alimentam os pequenos principalmente com doces.

  2. Acho que equilíbrio é fundamental, como tudo na vida. Nem junkie, nem natureba…

    Casa de Anita responde: hahaha, tu ta achando que eu escrevi isso por causa daquela mousse de chocolate que o Pedrinho ganhou de sobremesa. Pior que eu esqueci de comer, não vou me perdoar!

  3. Muito bem, gostei. Quer dizer que não perdi meu tempo…Estas melhor que a encomenda!

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