Arquivo do mês: maio 2009

A universalidade feminina

Por Ana Emília Cardoso

Mira que cosa más rica.
Tenho três grandes amigas chamadas Daniela. Nome de balaio da geração late 70’s. Bueno, uma é a vermelhinha, Daniela Entrudo, co-autora deste blog; outra Daniela Cedola – agora Tedoldi, explodindo de grávida da segunda filha – e outra, jornalista, Daniela Weber, uma gaúcha que trilhou um caminho inverso ao meu. Saiu de PoA rumo a Curitiba ainda baby e hoje tem seu filhote Pedrito, de um ano e uns 7 ou 8 meses, accordind to her nick on msn.

Eis que um dia, ou melhor uma tarde, estávamos nós quatro em altos papos no msn. Duas em Porto Alegre; Weber tomando leite quente e Cedola-Tedoldi in the UK. Lá pelas tantas, eu, discutindo relacionamento pra variar, perguntei pra Entrudo sobre uma amiga que havia casado e estava tenho problemas com o casório em SP. Ela me respondeu longamente.

Mas, ops. Essa pergunta era pra Cedola, não pra ela. Será que toda Daniela tem uma amiga em SP com problemas no casamento?! É muito engraçado como as histórias se repetem e se assemelham e por isso é tão rico trocar experiências e discutir nossas opiniões_ porque no fundo, no fundo, tudo é tão parecido.

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O mundo corporativo e seus personagens

Por Daniela Entrudo

Se tem uma coisa que eu nunca gostei, desde os tempos de escola, é de gente puxa-saco. Sempre menosprezei esse tipo de comportamento, aquele coleguinha que puxava o saco da ‘profe’, ou de um outro colega pra fazer trabalho junto e tirar vantagens pra si. Tenho asco disso.

Agora adulta, no mundo corporativo eu vejo aquele mesmo ‘coleguinha’ da escola, em versão grande, puxando o saco dos colegas, enaltecendo o trabalho de outros puxa-sacos igual a ele e bajulando as chefias e as pessoas que julga serem importantes para a sua ascensão na empresa.

Isso tudo é tão patético. Pra mim que ‘quem muito se abaixa a bunda aparece’, como diz minha mãe, a rainha dos ditados. O negócio é fazer bem feito o nosso trabalho e ponto, sem deixar margem para que alguém fale mal dele e deu.

Eu me irrito muito com gente assim, vaselina. todo dia vejo isso. São pessoas que ou não fazem o seu trabalho, ou não tem capacidade, sei lá, e acham que tem que bajular as pessoas que estão numa posição de poder.

Pior ainda são os bajulados que gostam desse frenesi todo, parece que precisam disso para se afirmar, precisam que alguém os fique lembrando o tempo todo de como ele é bom, ou quão capaz é.

Jogo de cintura e diplomacia é uma coisa, agora lambeção
… Não vou tratar ninguém mal, mas também não vou estender tapete vermelho e mostrar os dentes pra qualquer um, mesmo que esse ‘qualquer um’ seja o Lula.

Os chupa-cabras da alma_ gente vampira

Por Ana Emília Cardoso

Chova ou faça sol, estando bem ou mal, você já reparou como tem gente que suga nossa energia?

Sabe aquela amiga que você gosta, mas depois de encontrá-la, fica cansada, exausta? Pior que essas pessoas geralmente são bem legais, super agilizadas, cheias de ideias e bem intencionadas.

Me sinto até mal de fugir de gente assim, mas já sou grande o suficiente para saber que o que não me faz bem_bem, me faz mal, oras.

Isso me remete a uma outra grande questão da contemporaneidade (uau, essa palavra é dos meus tempos de pós graduação na UFSC), que é a dificuldade que nós adultos temos em dizer: sim, eu quero isso ou não, eu não quero isso.

Parece que estamos sempre dizendo sim para coisas que não queremos, por educação, medo de encrenca ou preguiça de explicar mesmo e não para coisas que queremos de verdade, por vergonha, orgulho ou retardadice pura.

Conheço centenas de pessoas que se auto-boicotam o tempo todo fingindo ser quem não são, gostar de coisas que não gostam e concordando com a gente quando na verdade acham que nós somos loucos ou estamos completamente errados.

Não que eu ache que todo mundo tem que ser super autêntico e jamais ceder, ser uma mala, um ícone de coerência na vida, mas… por favor, aturar gente que nos faz mal não pode – de modo algum – trazer algo de bom para nossas vidas.

Aposto que você, que está lendo este post, conhece gente vampira. Quer saber…nem pensa duas vezes, bloqueia no msn, diz que vai viajar, que não lembrava de ter combinado tal coisa e vive a tua vida bem faceira sem nenhum vampiro atrapalhar, mesmo que a pessoa queira te dar um prêmio Pullitzer. Por falar em prêmio, você já votou em nós no Top Blog?

Você viu aquele mendingo no cemintério?

Por Gabriela Carvalho

Comecei hoje, com a minha futura sócia (a Ana, editora deste blog), um curso de empreendedores no Sebrae. O curso não chegou a superar minhas expectativas, mas em vários momentos senti falta de uma coisa: do plural. A ausência dele se fez presente durante toda a tarde de curso. Não só nas palavras do ministrante, como também nas dos ‘alunos’, futuros empresários.

Tudo bem, eu não sou um exemplo de pessoa quando se trata do correto uso da nossa difícil língua portuguesa. Mas, pelo menos eu acho, o uso do plural é requisito básico e não envolve grandes mistérios.

Confesso, tenho um problema com a palavra ‘nozes’.
Não exatamente com o plural. Minha irmã sempre ri quando tocamos no assunto. Não consigo o usar o singular de nozes, acho muito estranho falar ‘uma noz’. Enfim.

Como se não bastasse o sequestro do plural, ouvi no mesmo curso duas expressões que há muito não ouvia. Tinha um sujeito, muito falante, que não ficava nem vermelho de falar ‘questã’. Isso mesmo, o amigo sempre começava suas frases explicando que ‘essa questã…’. Outra colega usou algumas vezes a expressão cadum quando tentava se referir a cada um dos participantes do curso. Não sei se excepcionalmente hoje eu estava concentradíssima nas gafes alheias ou se os episódios foram tão esdrúxulos que era impossível não notá-los.

A ideia de escrever sobre esse assunto surgiu quando uma amiga, que pelo visto está se tornando leitora assídua de Casa de Anita, veio me perguntar se a minha amiga do blog tinha escrito algo novo. Então lembrei do blog e disse a ela que estava com vontade de escrever sobre o bom e velho português, em virtude dos fatos acima narrados.

Foi quando ela me confessou que o pai dela, um empresário super bem-sucedido, não consegue não falar cemintério e pijami. A minha sogra também fala pijami. Por que será? Tem outra amiga, com quem morei quando vim para Porto Alegre, super inteligente e devoradora de livros, que uma vez confessou que fala cemintério e mindingo.

Meu pai tem um problema com o ‘truxe’, de trouxe, do verbo trazer. ‘Truxe coca normal pra ti filha, sei que tu não gosta da light’. Não tem jeito de fazer o bigodão falar ‘trouxe’.

Nota da editora: Bem-vinda, Gabi! Adorei teu post!

A maratona de Porto Alegre

Por Daniela Entrudo

No último domingo, 25 de maio, eu levantei bem cedo para participar da 26ª Maratona Internacional de Porto Alegre, mas não corri os 42 km. Eu estava inscrita na maratona de revezamento, onde cada integrante do meu grupo iria correr 10,5km. Essa é a segunda vez que eu participo, no ano passado corri 5 km, e esse ano resolvi me superar e dobrar o meu percurso. Domingo era o meu dia.

Mas sabe qual é a parte mais legal disso tudo? É a nossa auto-estima que fica lá em cima, nas nuvens. Logo que eu decidi que iria correr novamente comecei a treinar e saí toda exibida contando pra todo mundo que iria participar da maratona: pro pessoal da academia, de casa, do trabalho, pros meus colegas de inglês, pra manicure, pra depiladora… era o meu assunto do momento! Acho até que eu tava ficando meio chata.

Bom, até que nesse domingo chegou o tão esperado dia. O dia em que você é o centro das atenções, afinal de contas você é A Atleta, A Maratonista, dá licença! Isso tudo é tão bom sabe? Você sente um orgulho tão grande de si mesma, de saber que você está ali e é capaz de superar os seus próprios limites e vencer desafios que você mesma estipulou. Me senti muito bem mesmo.

foto chupada do flickr.

foto chupada do flickr.

Acho que deve ser algo parecido, porém em proporções bem menores, com a sensação de quando se é mãe, eu não sou ainda, mas fico imaginando que deve ser mágico olhar pra uma criaturinha perfeita e pensar: você saiu de mim, fui eu quem fez você! Que orgulho!

O silêncio e as mulheres tagarelas

Por Ana Emília Cardoso

Nós mulheres somos por natureza mais tagarelas. A maioria de nós fala pelos cotovelos. Lembro que costumava levar amigas pra almoçar na minha casa e meu marido quase ficava tonto no carro de tanta papagaiada. Nós somos fogo mesmo.

Mas, se eu pudesse dar um conselho para um homem, seria: case com uma mulher bem falante. Um pessoa que gosta de falar geralmente é alegre, presta atenção nas coisas (até para ter mais assunto) e enche a casa, sem necessariamente fazer muitos filhos.

Quem me conhece deve estar pensando: a Ana está num dia de se achar um exemplo pra humanidade, porque eu falo pra burro. Mas, não é isso. A questão é outra. Por mais que as ‘tagarelas’ falem um pouco de bobagens, nós não conseguimos ocultar sentimentos e verdades. Por isso, tendemos a ser mais sinceras e – num relacionamento sério – expor ideias, angústias, medos e, na melhor das hipóteses, surtos de amor, compreensão e reconhecimento agrega muito.

Você já reparou que quando conhecemos alguém o silêncio incomoda muito? Se é com um gatinho, pior ainda; mas mesmo com amigas ou qualquer pessoa. Basta um silenciozinho e ambos já ficam pensando em que diabos o outro está pensando e por que não está falando nada.

Com o tempo e observação passamos a ler melhor os sinais e lacunas surgem entre as conversas. Agora, imagina: se vocês já não conversam no começo… como será o fim?

Eu, particularmente, tenho medo de pessoas muito quietas. Às vezes, têm outros por dentro; às vezes, não estão de fato nem aí pra nada.

No filme ‘Ele não está tão a fim de você’, uma das personagens principais – o filme não tem protagonista – é a amalucada Gigi. Ela é super ansiosa e fala muito. À primeira vista uma encrenca total. Mas, no decorrer ela ganha espaço e a simpatia do público. Esse filme é muito legal, tem que ser visto.

Foto96

Ter filho não empobrece o homem

Por Ana Emília Cardoso

Tenho várias amigas na faixa dos 30 que até querem ter filhos, mas ficam fazendo cálculos com base em preços de fraldas e logo desistem ou postergam para um dia qualquer, num futuro longínquo. Elas ficam imaginando que cada filho custa uns R$ 2 mil por mês e coisas do gênero.

Claro que quando você olha as coisas de fora, se apavora mesmo. Quanto custa um carrinho? Um bêbe conforto? Eu também pensava assim. Quando minha cunhada Lu engravidou da Gigi, eu fiquei super preocupada com o futuro financeiro deles. Dei graças a deus que não era eu que estava grávida.

Dois meses depois, lá estava eu com um Beta HCG positivo nas mãos e um ponto de interrogação gigantesco estampado na cara. A primeira surpresa boa – no quesito financeiro – veio logo no começo da gestação. Todo mundo, invariavelmente, me dava presentes. Gente que eu nem falava direito aparecia na minha casa com sacolas de roupas. E olha que nem eu, nem RBS fizemos uma campanha do agasalho pra mim.

Eu não gastei um centavo e ganhei pencas e pencas de coisas fofinhas, lindas, úteis e práticas. Um fato que eu lembro que achei curioso foi a mulher que morava na cobertura do meu prédio. Ela sempre foi grossa comigo. O dia que soube que eu, a síndica, estava grávida, me trouxe presentes lindos e passou a me tratar de forma super carinhosa e prestativa. Até um xampu de mel da L’Occitanne maravilhoso ela me deu. E a Anita ficava com aquele cheirinho delicioso. Um dia ainda junto uns muitos trocados e compro outro daqueles.

A bichinha da Tania foi a campeã das doações. Estava de mudança para a Espanha e me deixou todo um legado de seu primeiro e até hoje único filho, Lucas, que estava com 3 anos na época. Ela me deu berço, bebê conforto, trocador, cobertas, roupinhas mil e até um tip top todo acolchoado para carregar bebês na neve.

Resumindo, não gastei um puto mesmo. No chá de fralda, já me supri pelos 5 primeiros meses. No primeiro ano, a Anita herdava todas as roupinhas da Gigi, dois meses mais velha e uma alemoazona.

Explicado tudo isso, uma amiga questionou. Tá, mas e depois? Você não pode fazer um chá de faculdade… convida 60 pessoas e cada uma se responsabiliza por uma mensalidade. Até era uma boa.

Eu venho seguindo outra linha, já vou logo ensinando tudo que é pra ir bem na escola e estudar na universidade pública se ainda houver quando ela crescer.

Uma coisa é fato: ninguém fica mais pobre porque teve filho. Ou você já ouviu alguém comentar que fulano, tadinho, depois que teve filho tá ferrado?