Turismo sexual

Por Ana Emília

Ainda que o slogan do Nordeste seja Aqui o sol brilha para todos, é fácil perceber que para alguns brilha de forma ardilosa. Sabe essas coisas bizarras que a gente só lê nas revistas ou vê na tevê, mas nunca nem passou perto? Infelizmente eu me deparei com o tal turismo sexual, tão conhecido dos jornais, mas tão distante que a gente pensa que nem existe.

Logo no aeroporto em Recife havia muitos cartazes dizendo: Primeiro eles tiram seu passaporte, depois a sua vida ou então Denuncie a exploração de crianças e adolescentes. Aquilo me chamou a atenção, mas eu continuava encarando esta questão como metafísica apenas.

Foi num passeio de barco pelo mar de dentro em Noronha que eu estranhei um ‘casal’. Ele um velhote europeu, de cabelos brancos e olhos bem azuis. Falava francês; ela uma menina – nem peito tinha – de cabelos castanhos, bem clarinha, com os olhos azuis também.

Ela não tinha idade pra ser filha dele, neta talvez. Ele não parava de tirar fotos dela, que visivelmente estava constrangida. Em determinado momento do passeio, eu fui pra trás do barco porque a Anita queria deitar. Nisso, uma senhora gorduchita do Espírito Santo soltou o verbo: Tu viu, que absurdo? será que a pousada não denunciou? e eu nem tava entendo direito o que ela estava falando porque isto era totalmente novo pra mim. Isso é o que mais tem no Nordeste, ela dizia.

Aí me explicou que era muito comum turistas europeus virem pra cá e contratar acompanhantes novinhas. Disse que há um esquema internacional. Os turistas vêm pra isso, com tudo armado dizia a capixaba. Segundo ela, as famílias das crianças compactuam com isso, pois ganham uma boa grana.

É muito assustador olhar uma criança ali, de acompanhante de um velho escroto. Uma criança que não vai ser pré-adolescente nem jovem nem ingênua. Eu não consegui puxar papo com a guria (e olha que este é a minha principal competência) porque tava com medo que a Anita se afogasse. Ela queria sair nadando bem longe e eu tava apavorada quando o barco parou.

No almoço ouvi os dois conversando em francês e quis acreditar que ela era filha temporã dele ou neta, sei lá. Ao sair do barco falei para a senhora capixaba que ouvi eles conversando e que pareciam ser parentes. Falei só por falar, pra tranquilizar a mulher.

Conversei com muitos nordestinos e todos me disseram que isso acontece mesmo e que as pousadas e hotéis não denunciam para não perder clientes. Que grande merda.

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Uma resposta para “Turismo sexual

  1. Reidy Rolim de Moura

    Coisa doida hein Ana… é triste isso, mas acredito que aconteça sim e há do poder público tomar providências diante de tal situação, considerando que há denúncias e denúncias sobre tais acontecimentos… e com urgência…

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