Você não sabe da missa, a metade

Por Ana Emília

Eu amo essa expressão. Mais do que rasgar os panos ou de falar que uma calça dá de si ao invés de dizer que cede ou alarga ao lavar. A língua portuguesa é mesmo um arraso.

Nada mais divertido que ouvir a conversa de dois nordestinos. Minha amiga Tania, do post anterior, nasceu em Barcelona, mas foi criada em Maceió. Quando ela e o marido, o surfista Tanio Barreto, estão com pena de alguém, eles se olham e dizem: ai, bichinho… é engraçado, peculiar, pitoresco e bonitinho esse bichinho.

Melhor ainda é minha vizinha na Lagoa da Conceição em Floripa, a dona Maria. Uma figura ímpar, adoro ela. Todas as distâncias do mundo pra ela se medem com base de nossa casa, na rua do shopping, até o Supermercado do Chico, perto da pontezinha da Lagoa. Ah, Aninha, é como umas três vezes e meia daqui no Chico, – ela dizia para explicar quanto tempo levava da casa de um filho à do outro.

Eu peguei uma mania horrível depois que o tu entrou na minha retórica. Ok, admito que falava curitibanês até então, uma língua que soa horrorosa demais. Aí mudei a frequência e a entonação em Santa Catarina. Mas, nos últimos tempos, incorporei fortemente o tu na minha vida. A Anita, só fala tu. Tu esse, que a Gigi, priminha de Curitiba, repete quando a encontra. Acha o máximo falar como a gauchinha da Anita.

O problema é que nós falamos tu, mas usamos o verbo na terceira pessoa como se falássemos você. Aqui, tudo bem, isso é o normal. Mas, sempre tem alguém me questionando no msn porque eu ando escrevendo assim. Porque falo, oras. Não que isso seja bonito.

Ah, lembrei de outra expressão que eu acho bonita e não tem nada a ver com os ‘será o serelepe’ e ‘mais fácil um burro voar’ que minha avó Alzira falava e são peças-chave na minha comunicação diária. Ouvi da boca de uma psiquiatra: Puxa, Ana, que bom que tu não rasga logo os cadernos. Que bom mesmo, acho que foi para não rasgá-los que comecei esse blog.

Em tempo: rasgar os cadernos é meter os pés pelas mãos, chutar o pau da barraca, entornar o melado…

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5 Respostas para “Você não sabe da missa, a metade

  1. E por falar em expressões, não posso deixar de citar a minha mãe, rainha dos ditados como: ‘o cara é louco de cheirar no fogo’, ou ‘é tão burro de cagar de joelho’… e por aí vai. Mas a que eu mais gosto é: ‘não tem xina pobre, nem gigolô sem dinheiro’, se referindo ao dia do pagamento ou um dia que ela esteja com a grana no bolso.

  2. Próximo tema: de onde saiu aquele ããã e o âââ para dentro? Que os gauchos soltam para falar qualquer coisa…antes, entre e depois…é tipo um barulho para o cérebro pegar no tranco ou pensar antes em algo…e falar? ãããmmm

  3. Desculpa o comentário imbecil, mas mais peculiar ainda é um casal chamado Tania e Tanio, amei!!!! Único!

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