Arquivo do mês: abril 2009

Entrevista de emprego_ um amor platônico pelo trabalho

Por Ana Emília

Cada vez que eu vou numa entrevista de emprego que eu acho legal, já fico logo sonhando com a vida que teria se entrasse em tal lugar. Hoje tava até comentando com uma amiga jornalista, a Carol Reque, que às vezes, essa fase onírica é melhor do que a labuta em si.

Acho que isso é muito feminino. A gente volta pra casa já imaginando as roupas que vai usar, que horas vai acordar, como serão aqueles colegas. No meu último emprego – aquele que eu quase enlouqueci há umas semanas atrás – eu cheguei até a comprar uma bolsa nova, patrocinada pela minha sogra que compreende super bem essa sensação pré-trabalho.

A Carol, que concorda comigo, contou que uma vez, com 15 anos, foi a uma entrevista para trabalhar no meio da advocacia. Saiu de lá e comprou vários terninhos, roupas de ‘gente grande’. Se endividou toda. Resultado: não lhe chamaram e aquelas roupas nada a ver ficaram anos entulhando o armário.

No décimo oitavo andar

Por Ana Emília

Agora há pouco uma amiga minha de Floripa que está fazendo o curso Perestroika em Porto Alegre me ligou me chamando para tomar um chopp. Aliás, tá me ligando de novo.

O fato é que – mesmo sem filho e sem marido em casa hj – to muito cansada. Acordei às 7 hs e fiz mil coisas o dia todo. Tomar banho e ir pra Cidade Baixa à essa hora [ 22] seria um esforço sobre-humano e me dá até aqueles tremeliquezinhos de sono. Sabe aqueles tremeliques que algumas pessoas têm antes de capotar? Eu tremo 3 vezes e apago.

Será que é a idade? Não tenho nem 32 ainda. Hoje fizemos um festa de 90 anos pro avô do meu marido, em Novo Hamburgo e rolaram umas perguntas pós-parabéns. Alguns queriam saber o que ele achava da data, outros se ele imaginava que chegaria tão longe. Em tal coletiva informal, perguntei qual foi a melhor fase da vida dele, que é 3 X a minha.

Ele respondeu que quando o primeiro filho nasceu, quando brincava com os filhos pequeninos. Coincidência ou não é a fase em que estou.

No décimo oitavo andar
. Da felicidade, segunda essa mesma amiga que quer tomar uns choppes hoje e me convidou já sabendo que eu não ía. Ela mesma me deu a desculpa: Ah, Ana Emília, é que tu tá no décimo oitavo andar da felicidade, já te disse isso.

Na verdade ela nunca disse, deve ser coisa da tal Perestroika. Mas, seja lá o que for, estou sim… feliz e sem a menor vontade de sair, estacionar, beber e voltar pra casa caindo de sono torcendo pra não cair numa blitz. Prefiro mesmo pensar que não é coisa da idade, é apenas felicidade.

Turismo sexual

Por Ana Emília

Ainda que o slogan do Nordeste seja Aqui o sol brilha para todos, é fácil perceber que para alguns brilha de forma ardilosa. Sabe essas coisas bizarras que a gente só lê nas revistas ou vê na tevê, mas nunca nem passou perto? Infelizmente eu me deparei com o tal turismo sexual, tão conhecido dos jornais, mas tão distante que a gente pensa que nem existe.

Logo no aeroporto em Recife havia muitos cartazes dizendo: Primeiro eles tiram seu passaporte, depois a sua vida ou então Denuncie a exploração de crianças e adolescentes. Aquilo me chamou a atenção, mas eu continuava encarando esta questão como metafísica apenas.

Foi num passeio de barco pelo mar de dentro em Noronha que eu estranhei um ‘casal’. Ele um velhote europeu, de cabelos brancos e olhos bem azuis. Falava francês; ela uma menina – nem peito tinha – de cabelos castanhos, bem clarinha, com os olhos azuis também.

Ela não tinha idade pra ser filha dele, neta talvez. Ele não parava de tirar fotos dela, que visivelmente estava constrangida. Em determinado momento do passeio, eu fui pra trás do barco porque a Anita queria deitar. Nisso, uma senhora gorduchita do Espírito Santo soltou o verbo: Tu viu, que absurdo? será que a pousada não denunciou? e eu nem tava entendo direito o que ela estava falando porque isto era totalmente novo pra mim. Isso é o que mais tem no Nordeste, ela dizia.

Aí me explicou que era muito comum turistas europeus virem pra cá e contratar acompanhantes novinhas. Disse que há um esquema internacional. Os turistas vêm pra isso, com tudo armado dizia a capixaba. Segundo ela, as famílias das crianças compactuam com isso, pois ganham uma boa grana.

É muito assustador olhar uma criança ali, de acompanhante de um velho escroto. Uma criança que não vai ser pré-adolescente nem jovem nem ingênua. Eu não consegui puxar papo com a guria (e olha que este é a minha principal competência) porque tava com medo que a Anita se afogasse. Ela queria sair nadando bem longe e eu tava apavorada quando o barco parou.

No almoço ouvi os dois conversando em francês e quis acreditar que ela era filha temporã dele ou neta, sei lá. Ao sair do barco falei para a senhora capixaba que ouvi eles conversando e que pareciam ser parentes. Falei só por falar, pra tranquilizar a mulher.

Conversei com muitos nordestinos e todos me disseram que isso acontece mesmo e que as pousadas e hotéis não denunciam para não perder clientes. Que grande merda.

O Brasil é um só

Por Ana Emília, ainda bronzeada do Nordeste

Sempre tive pavor de discursos separatistas, mas como não conhecia o Nordeste eu nunca pude contra-argumentá-los com muita propriedade. Na verdade, estes discursos nem merecem mesmo resposta tamanho o seu grau de ignorância. O fato é que – oxe! – o Brasil é mesmo um país muito lindo e as praias do Nordeste são espetaculares. O povo é duma simpatia, tranquilidade e cordialidade que fica fácil entender porque não há no Congresso Nacional líderes vindos do Sul. Os nordestinos têm um jogo de cintura incrível.

Fernando de Noronha é um lugar mágico. Sempre gostei de ilhas – a ilha do Mel mora no meu coração, Floripa foi meu endereço por muitos anos, a ilha do Cardoso – mas aquele arquipélago é ímpar. Não há água como aquela no Sul, quente, azul turquesa, com tantos peixes, tartarugas, golfinhos e tubarões ali, ao alcance das mãos.

Ah, se Imbé fosse assim.

Ah, se Imbé fosse assim.

Eu fui pra lá porque meu marido sempre quis muito conhecer, porque tenho uma amiga morando lá, a Mayra, que me agilizou várias facilidades e porque as passagens estavam em promoção. Pois bem, nós ficamos numa hospedaria super simples, chamada Pousada da Íris. A Íris é cunhada da Mayra. Dá pra achar essa pousada no orkut. O preço é BEM em conta, não vou botar aqui porque não sei como são as temporadas e tal. Pelo que observei em se tratando de Noronha, entre uma pousada de 300 pila e uma de 80, a diferença é pouca. Bom mesmo deve ser ficar na Maravilha, do Luciano Hulk. Dizem que a diária lá é perto de 2 mil.

O que mais gostei da Íris é que era bem no centro da cidade (sim, é assim que eles falam, parece piada chamar aquela vilinha de centro, mas pra eles é). A Vila dos Remédios é a São Paulo de Noronha. Lá tem Correio, Banco Real, dois restaurantes bons, o Tom Marrom e um de esquina que não me lembro o nome, cheio de luzes de Natal em pleno abril e o melhor… espaço kids, ou seja, um sofazão e uma tevê passando Jetix. E um sinal de internet bem fraquinho. No centrinho também tem uma loja – Loja de Mãezinha – que vende de tudo: remédio, souvenir, x- tudo e tem sempre um bando de gente sem muita ocupação tomando uns tragos. Mayra me avisou: só não compra lembrança lá, que aí Mãezinha vira madrasta, ela enfia a faca!

A agência também funciona como banco postal, mas tem-se que depositar de R$ 50,00 em R$ 50,00.

A agência também funciona como banco postal, mas tem-se que depositar de R$ 50,00 em R$ 50,00.

A Íris é muito caprichosa. Você sai de manhã e quando volta, ela trocou toalha, arrumou a cama, varreu, limpou banheiro. Não sei se eu que sempre fiquei em pousada fuleira, mas me surpreendeu; pra mim, pousada sempre é na base do do yourself. O marido dela nos alugou um buggy a 80 por dia. É o preço. Vale muito a pena. A ilha parece gigante ao primeiro contato, mas depois de muitas idas e vindas de buggy fica bem pequena.

A folga no volante remete a um pedalinho ou carro de choque.

A folga no volante remete a um pedalinho ou carro de choque.

O primeiro lugar que fomos foi a praia do Porto, que é ao lado do único posto de gasolina [3,80 o litro], que fica ao lado do único catavento de captação de energia eólica que foi atingido por raio e perdeu uma hélice. Ali tem uma igrejinha que é linda, minúscula. Ela só abre uma vez ao ano, dia 29 de junho, a grande data do calendário noronhense. Neste dia, os pescadores em polvorosa saem com barcos decorados e os mais afoitos até passam entre os Dois Irmãos, aqueles morros famosos.

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O Porto é cheio de barcos e é um ótimo lugar pra mergulhar. No dia que eu, banza que sou, mergulhei lá tinha arraias, vi um dourado gigante, uns peixes cobra venenosos, muitos peixes coloridos e tal. Não vi tartaruga porque não insisti, me irritei com as algas e – entre nós – eu sou meio medrosa. Se Steve Irwin, o pai da Bindi, o caçador de crocodilos, foi morto por uma arraia, imagina que eu ía me arriscar!

O museu do tubarão é interessante e assustador e tem um puta bar legal pra comer uns petiscos de tubarão e tomar umas cervejas [de 3 a 5 pila a lata]. Tem tubarão pra caramba no nordeste.

Outro lugar espetacular do mar de dentro [as praias viradas para o continente] é a praia do Bode. Tem piscina natural, ondas magníficas bem tubulares, um costão cheio daqueles lagartinhos pretos (mabuias) e lindos pássaros brancos com rabo bifurcado dançando no céu. Me senti no filme Barbie Princesa da Ilha. Logo ao lado tem a top famous Cacimba do Padre, a praia dos campeonatos de surf. É tudo aquilo e mais um pouco. Ondas, um visual inacreditável, tudo lindo num grau máximo.

Não, meu marido não é um holandês

Não, meu marido não é um holandês

Na Cacimba tem dois restaurantes. No estacionamento. Nós tomamos várias geladas lá com um casal que tinha uma filha também, que conhecemos na praia anterior. Esses picos são curiosos, não têm banheiro, mas aceitam todos os cartões. Eu me dei relativamente mal porque a Anita quis fazer o # 2 – bem quando chegou a comida, desnessário dizer – e lá fomos nós para o ‘banheiro ecológico’, o matinho. Aí uma formiga mordeu o pé dela e para completar eu não levei guardanapo suficiente para limpá-la. Só quem tem filho entende a crueza e a beleza desses momentos. Fosse fácil a vida, que graça teria? Tomamos um banho de mar e tudo meio que se resolveu. Os Dois Irmãos são testemunha.

Trilha entre a Cacimba e a Baía dos Porcos.

Trilha entre a Cacimba e a Baía dos Porcos.

A praia ao lado se chama Baía dos porcos, porque no lo se. É repleta de piscinas naturais. Com a maré rasa deve dar pra ver mil peixinhos. É muito linda. Bom, tirando minhas unhas, que ficaram super encardidas, não havia nada que não fosse belo por lá.

To be continued…

tudo sobre o nordeste….

Por Ana Emília

Tchan tchan tchan tchan. Isso é apenas um teaser porque eu cheguei de viagem hoje e tenho MUITA coisa pra desarrumar e organizar. Pois bem, amanhã eu prometo que escrevo.

Quem é quem

É claro que a maioria de nossos leitores já nos conhecem porque são nossos amigos, parentes (agradeço em especial a minha família que é super habitué) e colegas ou ex-colegas, mas – vá lá, pra matar a curiosidade dos que não nos conhecessem tiramos umas fotinhos hoje, já que estamos com mais de 100 leitores por dia.

Quem somos [é uma colagem ilustrada daquela página explicativa sobre o blog]

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Ana Emília Cardoso é jornalista e socióloga. Nasceu em Curitiba, viveu 9 anos em Florianópolis onde contraiu núpcias e gerou Anita. Sobrevive em Porto Alegre há 2 anos. Gosta da capital gaúcha mas foi acometida por uma grave crise de intolerância aos costumes dos pampas nos últimos tempos. Coleciona histórias muito curiosas sobre estranhos acontecimentos locais e decidiu compartilhá-las em forma de blog.

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Daniela Entrudo é porto-alegrense, louca por bergamota e chimarrão. Pique-nique na Redenção é com ela mesma. Publicitária com forte verve para a área comercial tem um objetivo nesta encarnação: ficar muito rica um dia. Casada com um ambientalista, usa a máquina de lavar escondido a fim de mascarar tamanho desperdício de água e consequente desgaste desnecessário no relacionamento. Imbatível em planilhas, planejamentos e eventos, não leva desaforo para casa por nada nesse mundo.

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Amigas, vizinhas, ex-colegas e – no futuro – companheiras de viagem durante a semana de moda em Nova York.

Tudo sobre alimentação saudável

Por Ana Emília

Na semana passada assisti a um programa muito educativo sobre alimentação na Globonews. No primeiro bloco uma mulher com 60 – corpo de 20 – cara de 40 mostra sua geladeira. Era um amontoado de tupperware com folhas e outros tantos pirex com gelatinas. A rotina dela é mais ou menos assim: acorda, coloca uma gota de geléia real [guardada no freezer dentro de um isoporzinho em forma de favo] embaixo da língua. Eu já vi essa tal geléia na vida real. Em Floripa tem uma geração que quer ser forever young e usa isso. Depois ela toma um copo de água com gotas de limão. Para limpar o organismo. Me lembrou uma propaganda de Veja limão, para desinfetar pisos e azulejos.

Depois ela pega uma centrífuga, bota várias folhas verdes, uma maçã [a melhor amiga do homem segundo um nutrólogo do mesmo programa] e faz um suco eca meleca. Próximo passo: liquidificar linhaça. Também já vi na vida real, minha amiga Nise sempre faz e isso a deixa ligada 220 o dia todo, segundo ela. Mistura as delícias: suco verde + gosma de linhaça.

Tá alimentada? Então mãos à obra que eu vou ensinar o restante da dieta! Pegue um saco de gelatina de alga asiática e prepare. É possível adicionar essa gelatina eca-meleca a tudo. Ela tomou pura de manhã, depois do suco e foi pro fogão fazer a sua papinha, opa, comidinha.

Separe 32 potinhos, 5 rãs, alho, cebola, azeite de oliva e uma boa dose da supra-citada gelatina. Refogue as rãs com pouco sal marinho, alho e cebola e cozinhe. Peneire (como eu nao sei, talvez a rã se desintegre durante o cozimento, humm, aconselho uma power panela de pressão), guarde nos potinhos e congele o que não for comer no dia. Talvez uns 3 potinhos a day sejam suficientes. A rã parece um franguinho, desses de borracha que se vende em casa de festa.

À essa altura você já perdeu a fome, né? Só pra finalizar, a gelatina sem gosto pode ser misturada a um suco orgânico de uva e vira uma... gelatina de uva! Para mostrar que era normal ela comeu castanhas, chocolate e disse que come carne, às vezes, e até toma umas canas, não com esses termos é claro.

Interessante, mas pouco aplicável. A segunda parte do programa eu gostei mais e aprendi uma série de coisas. Primeiro: temos que comer muito verde, em forma de folhas – pode ser qualquer uma, de preferência todas, e brócolis e couve-flor (que não é verde). Este é o segredo do sucesso, da longevidade, da saúde, da elegância e da pele bonita. Há que diga que brocólis dá gases. Repolho e couve também sofrem tal acusação. Pois bem, o nutrólogo explicou que não basta comer, tem que comer todo dia. Aí o organismo acostuma. Faz sentido. É a mesma coisa com as pessoas que pararam de comer carne… quando voltam, no começo, qualquer bifinho é um horror, dá dores estomacais, cólicas e não sei o que mais. Passa um mês, tá lá a pessoa entre uma picanha e uma costela feliz da vida. Nunca esteve melhor.

Voltando ao programa e saindo do campo das minhas teorias pessoais. Segunda coisa importante de se comer: raízes ou alimentos com amido. Cenoura, aipim, batata, abóbora, grãos. Só que aí mora um perigo. Se você é sedentário, esses alimentos viram açúcar e gordura. Se você pratica esportes, os teus músculos se abrem pro amido, que se transforma em proteína e em mais músculos ou em alimento para você viver, forte e saudável. Moral da história: se você já está bem, fica melhor, se está mal, tá perdido…

Terceiro grupo: frutas. São importantes porque têm vitaminas e muita fibra. Fibra vira cocô, quanto mais cocô, menos toxina no seu corpo. Faz sentido, também. A maçã é a melhor amiga do ser humano, porque é gostosa e têm muita casca, ou seja, muita fibra, ou seja, muito cocô.

O nutrólogo disse que não precisamos nos preocupar com venenos nas cascas, basta lavar bem os alimentos. Palmitos, pepinos e aspargos em conserva: atenção! abra o pote e deixe correr uma aguinha por cima do vidro sem tampa. Faz com que boa parte dos conservantes vá embora. Legal.

Estou escrevendo aqui porque achei útil mesmo, aprendi várias dicas e até me motivei a comer cada vez mais verduras. Sempre fui contra os vegetarianos, que são chatos, anêmicos, com aquelas caras de paisagem; mas gosto muito de me alimentar bem. Até porque eu amo comer, cozinhar, ir a mil feiras e aprender receitas.

Só ficou uma dúvida no programa pra mim: por que ele nem mencionou as carnes e as massas? Duvido que elas sejam dispensáveis. E as cervejas, então? Estou certa de que esse programa tem uma continuação, eles só esqueceram de anunciar.