Dia das Mulheres

Por Ana E

Hoje é nosso dia. Então quero comemorar o direito à imperfeição, a não conseguir manter a casa arrumada, a perder a paciência com os filhos, a perder o emprego, a ter umas celulites, a gostar de cerveja, enfim, o direito de ser uma pessoa normal.

Eu costumo reclamar muito do machismo, mas nossas conquistas têm um outro lado, o da mega-acumulação de funções que também é muito cruel. Trabalhamos fora e quando chegamos em casa ouvimos: o que tem para jantar? E por aí vai… se a camisa de alguém tá manchada, a falha é sua; se você tá ficando gorda, a falha é sua. Chega!

Estou cercada de super mulheres que parece que competem com elas mesmas o tempo todo e que se esforçam ao máximo para serem excelentes em tudo. É impossível e a quantidade de rugas ganhas bota todo o esforço gasto no quesito ‘estética’ fora.

Cada dia mais em convenço que é perda de tempo ter essa obstinação. Faça seu melhor, ok, mas não se mate para atingir padrões que talvez não lhe caiam bem. O que quero dizer é que nessa busca pela perfeição as pessoas tornam-se piores. Tem uma frase de Nietzche que diz algo como ‘tome cuidado ao exorcizar seus demônios porque eles podem ser o que você tem de melhor’.

Ontem, fui ao shopping com minha filha de 3 anos, sua melhor amiguinha de 4 e a mãe dela que também vem a ser uma de minhas melhores amigas. A mãe queria comprar tinta de cabelo. Fomos nas Americanas, porque é mais barato sempre. Depois ficamos com as meninas na seção de brinquedos vendo Barbies, uma por uma com elas. Não sei bem ao certo se é divertido ou é meio torturante esse tipo de programa pra criança, porque elas veem tudo e nós não compramos nada, mas… enfim elas parecem adorar.

Aí tinha uma Barbie muito linda, morena, com um vestidinho azul plissado, sandália tipo bota, um arraso. Foi a que a gente (adultas) mais gostou, mas vimos e comentamos sobre várias. As pequenas estão numa fase de obsessão por princesas então a opinião delas não varia muito, apesar de todo o esforço da Mattel em acompanhar a moda. Pelos meus cálculos ficamos uma hora lá.

De noite estávamos jantando e folheando o encarte das Americanas. Na seção das Barbies tinha uma que a minha amiga falou: olha essa! que linda! E eu: tá, mas tu não viu lá? Na verdade eu até pensei em mostrar pra ela, mas ela tava vendo as Susies com uma cara tão saudosista que eu não quis tirá-la daquele transe.

Me senti o Seth Rogen e companhia no ‘Virgem de 40 anos’ quando eles ficam horas naquelas brincadeiras de sabe-como-eu-sei-que-você-é-gay. É tão legal isso, é tão bom falar besteira, rir e não ser perfeita que eu gostaria que todas as mulheres parassem de querer ser sempre certinhas, responsáveis e poderosas e curtissem mais a vida. E não só hoje, no nosso dia, mas sempre.

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2 Respostas para “Dia das Mulheres

  1. Esse blog está incrível. parabéns

  2. Viva as lojas americanas, as crianças vão lá, brincam, admiram tudo, não compram nada e vão para casa felizes da vida.
    Pedro adora a sessão de Max Steel, como eu sempre fui mais de brinquedos de menino, amo os monstros e as armas super poderosas!

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