Arquivo do mês: fevereiro 2009

O ferrolho da vida

Por Ana E

Ferrolho? Eu nunca tinha ouvido essa palavra. Foi Anita quem me ensinou seu significado. A princípio achei que fosse um parafuso, tarugo ou algo do gênero. Não vou seguir a tendência contemporânea de colocar as definições dos dicionários, usada por autores que admiro inclusive, para manter a pureza do termo. A pureza que as crianças outorgam ao vernáculo.

Tu pega
. E saio eu correndo atrás de um bando de crianças de 3 anos numa quadra de futebol sintético. Quando estava a milímetros de alcançar a super poderosa Lindinha, um de seus muitos personagens favoritos, ela grudou numa trave e anunciou: ferrolho! ferrolho!

Em questão de segundos, todas as crianças se sentiram protegidas pelo grito entoado e fizeram o mesmo. Ferrolho é o pique; na minha época pré-combinado antes da brincadeira. Achei muito engraçado… ferrolho. Hoje a palavra está completamente incorporada ao meu vocabulário.

Ontem à tarde, em uma chuvosa tarde de carnaval, lia sobre a vida de Simone de Beauvoir. Quando percebeu que estava se anulando em relação ao namorado, amante, amigo e ídolo Jean Paul Sartre, se forçou a uma maratona de emancipação: foi morar em Marseille para lecionar, deixando-o em Paris e lá organizou uma série de atividades e explorações turísticas que lhe ocupavam quase todo seu tempo livre. Chegava a caminhar 40 quilômetros por dia. Com esta rotina, durante um ano se reestruturou e aprendeu a ser auto-suficiente. Percebeu que sobrevivia sem a presença inebriante de sua paixão.

Mas, será que precisamos nos afastar de nosso ferrolho para nos fortalecer e não nos anularmos? Às vezes quando abraço minha família – marido e filha – sinto uma segurança tão grande. Anita gosta de falar: juntos, sorrindo. Como se temesse que algo pudesse nos separar. Nesses momentos é como se a minha vida fosse um pique e que nada, nem uma guerra nuclear, pudesse me fazer desacreditar nessa magia.

Vanessa da Mata no RS

Por Ana E
Meu marido, obviamente, odeia discussões sobre machismo. Eu não posso dizer que gosto, é desgastante, mas um mal necessário. Ontem, em meio a uma caótica volta pra casa, após um jantar sucedido por baita indigestação, um bate-boca me trouxe à memoria uma cena que presenciei há pouco mais de um ano.

A cantora Vanessa da Mata, no auge do sucesso da música ‘Boa Sorte’, estava em Porto Alegre para promover seu disco Sim. Eu e a Dani trabalhávamos num veículo de comunicação e naquele dia a Vanessa seria entrevistada em nosso prédio. Num raro momento de tietagem, lá fui eu pra dentro do estúdio assistir o programa. Estava tudo errado, um dos participantes já começou perguntando assim: O teu cabelo é igual bandido, né? Ou tá preso ou tá armado. Risadas amarelas. Daí em diante só piorou… uma falta de respeito completa.

Fiquei um bocado constrangida. Quando saimos de lá, vi que ela estava passada com a entrevista. Não falei nada pra ela, mas a minha vontade era pedir desculpas pelos costumes locais e pela forma atávica que os homens gaúchos se comportam.

Será que eles se sentem incomodados na presença de alguém que faça mais sucesso que eles? Uma mulher ser reconhecida fora de seu estado, no país todo e até fora do Brasil fere o frágil orgulho gaudério ? Ou desfazem das mulheres e as diminuem porque acham bonito mesmo?

O que mais me entristece é quando as mulheres daqui não enxergam isso, dão risada de piadas machistas e aceitam ofensas de boca fechada achando que este é sim seu papel social.

A barriga mole – a dieta da cevada

Por Dani E
Em tempos de mulheres com bundas duras e peitos siliconados, aparece eu, uma mulher de barriga sarada de cevada e “larga”, palavras do meu marido. Na verdade eu não sou nada disso, sou uma mulher independente, inteligente, esperta e linda. Mas ontem fiquei muito incomodada pelo fato de ele (meu marido) ter ficado de cara por eu estar bebendo (álcool) em sua companhia, na casa de minha mãe, cabe ressaltar.

Ontem em Porto Alegre por volta de 21 horas fazia uns 31 graus, então nada melhor que uma ceva bem geladinha pra relaxar e descontrair. Aí eu escuto isso: “tu tá ficando larga, todos os dias está bebendo!”. Pensei: se eu estivesse dando vexame ou algo do gênero tudo bem de ele reclamar, mas por causa de duas ou três latinhas, ah não! E pior que eu estava super a fim de encher ele de beijos e dormir depois de uma bela noite de amor. Bom, o que aconteceu? Justamente o contrário! Eu fiquei emburrada e fui dormir de cara e nem um beijo de boa noite o queridão ganhou.

Eu perguntei pra ele: “eu estou menos inteligente ou mais chata por causa de 1 ou 2 latinhas de cerveja?”. Poxa, eu malho a semana toda pra poder sim tomar a minha cerveja, não sou uma total sem noção e relapsa com o meu corpo, mas também não sou uma neurótica, não sou do tipo de ficar preocupada com quantas calorias já ingeri ou usar tabelas de emagrecimento, já passei dessa fase. Sou uma mulher madura que tem uma beleza própria, não preciso passar chapinha no cabelo ou puxar os peitos pra cima pra chamar mais atenção, estou feliz com a minha beleza de 28 anos e feliz com o que vejo no espelho.
Ahhhhhhhhhhhhh, abaixo a ditadura das magras com barriga de tanquinho, a moda agora é a dieta da cevada e tenho dito!

A bunda dura

Este texto é atribuido na internet ao ARNALDO JABOR, não botamos nossas mãos no fogo…

‘A BUNDA DURA’

Tenho horror a mulher perfeitinha.
Sabe aquele tipo que faz escova toda manhã, tá sempre na moda e é tão
sorridente que parece garota-propaganda de processo de clareamento dentário?
E, só pra piorar, tem a bunda dura?

Pois então, mulheres assim são um porre.
Pior: são brochantes.

Sou louco?
Então tá, mas posso provar a minha tese.

Quer ver?

a) Escova toda manhã:
A fulana acorda as seis da matina pra deixar o cabelo parecido com o da
Patrícia de Sabrit.
Perde momentos imprescindíveis de rolamento na cama, encoxamento do
namorado, pegação… pra encaixar-se no padrão ‘Alisabel’, que é legal,
porque todas as amigas têm o cabelo igual…
Burra.

b) Na moda:
Estilo pessoal pra ela, é o que aparece nos anúncios da Elle do mês.
Você vê-la de shortinho, camiseta surrada e cabelo preso?
JAMAIS!
O que indica uma coisa:
Ela não vai querer ficar desarrumada nem enquanto estiver transando.

c) Bunda dura:
As muito gostosas são muito chatas.
Pra manter aquele corpão, comem alface e tomam isotônico (isso quando não
enfiam o dedo na garganta pra se livrar das 2 calorias que ingeriram),
portanto não vão acompanhá-lo nos pasteizinhos nem na porção de bolinho de
arroz do sabadão.
Bebida dá barriga e ela tem H-O-R-R-O-R a qualquer carninha saindo da calça
de cintura tão baixa que o cós acaba onde começa a pornografia: nada de
tomar um bom vinho com você.

Cerveja? Esquece!

Legal mesmo é mulher de verdade !!!
E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa.
Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira.
Pode até ser meio mal-educada às vezes, mas adora sexo.
Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução (e, às vezes, nem
chegam a ser um problema).
Mas ainda não criaram um remédio pra futilidade.

E não se esqueça…

‘Mulher bonita demais e melancia grande, ninguém come sozinho!!!

Mulher machista é o fim

Por Ana E
Tenho uma amiga que acha super normal o pai ter uma amante. Segundo ela, se a família mantém-se unida e a mãe dela não se importa, qual o problema? Perguntada sobre a situação oposta; se a sua mãe tivesse um amante e o pai ficasse em casa, deprimido e carente, ela aceitaria? Aí não!

O pior machismo é o que é legitimado pelas próprias mulheres. Não há algoz se não existir a vítima. A partir do momento que as vítimas se acomodam nessa posição, respeito… pra quê?

Coisas que me dão asco (parte I*)

Por Verônica

Sabe uma coisa que sempre me intrigou? É o seguinte: nasce um filho homem na família e o primeiro comentário do pai, e muitas vezes da mãe e das tias é: “mas olha que guri ticudo, puxou ao pai!” Aiii, eu acho pavoroso isso, quando nasce uma menina eu não escuto ninguém falando: “mas olha o tamanho da B… dessa menina, que coisa mais linda!” não, isso ninguém fala. E aí tá, a criança cresce e se torna um pré-adolescente de 12 anos e o pai já vai avisando: “prendam as suas cabritas que o meu bode está solto”, não poderia ser ao contrário? Ou melhor, não poderia estar todo o zoológico solto?

Outra coisa que eu fico muito de cara é a mulherada dizendo que homem é tudo sem-vergonha e tal. Mas essa mesma mulher que fala isso sai com cara casado e fica dando em cima dos caras com namoradas, e olha que às vezes os caras são um raio de tão feio, mas como estão acompanhados ou têm uma aliança no dedo já se tornam um Brad Pitt. E o pior de tudo é que essas mulheres não se dão por conta de que, se existe homem ‘sem-vergonha’ é porque elas dão IBOPE, e eles acham que tão agradando, isso é simplesmente o óh!

Lembro que quando eu era solteira era muito difícil eu ‘ficar’ com algum carinha na noite, porque sempre detestei a idéia de ser vista pelos homens como uma carne no açougue, escolhendo qual é a mais magrinha ou a mais suculenta, etc, urgh! Então o que acontecia era que eu tomava um porrão e ficava amiga dos feios, que eu descobri que são pessoas muito legais e inteligentes. E isso me fazia muito bem, era uma troca, porque eu me tornava cada vez mais inteligente e especialista em feios legais.

PS.: *Já coloquei no título como ‘parte I’ porque tem várias coisas que me dão asco. Asco (no meu vocabulário) = aquela sensação que dá nos ouvidos quando vemos um monte de baratas juntas. Uiu, só de imaginar dói os ouvidos.

Alergia à luva de lavar louça

Bizarro é pouco. Agora entendo quem tem alergia a camarão, essas coisas. Ontem fui lavar uma loucinha pra espairecer e desentulhar a pia com uma luva nova e me dei muito mal. Terminado o serviço, me deitei no sofá com as pernas pra cima pra descansar e senti uma coceirinha nos olhos. Coçei com gosto.

Não é que a tal sílica de dentro na luva me irritou os olhos? Irritou não, me deu uma puta reação alérgica. Eu virei o fofão. Meus olhos incharam MUITO. Mal conseguia abrir o esquerdo.

Liguei pro meu irmão que é médico e ele me orientou a passar colírio e esperar um pouco. A cada minuto inchava mais. Eu ía explodir, certo que ía… se eu não fosse pro hospital.

Peguei um taxi e lá fui eu pra emergência do Mãe de Deus. Uma hora depois me medicaram – uma injeção de fenergan – e voltei já meio viajante para casa. Capotei. Isso era uma da manhã.

Ainda estou com cara de que tomou uma surra. No hospital, todo mundo me olhava estranho. Diz a médica que o edema demora, mas desaparece.

Portanto, se vc me encontrar na rua, com uma cara estranha, pode cumprimentar que sou eu mesma e não o monstro do Lago Ness. Ah, e não se lava mais louça nessa casa!